Foi com orgulho estampado no rosto que António Costa assumiu esta terça-feira as suas origens multiculturais, na sequência do novo acordo comercial, “o maior de todos” celebrado entre a União Europeia (UE) e a Índia.
“Sou o presidente do Conselho Europeu, mas também sou um cidadão indiano ultramarino”, afirmou o antigo primeiro-ministro, enquanto exibia o seu passaporte indiano na conferência em Nova Deli onde foi assinado este acordo. Acordo esse que foi hoje concluído após 18 anos de negociações.
“A Europa e a Índia estão a fazer história hoje: concluímos o maior de todos os acordos comerciais e criámos uma zona de comércio livre com dois mil milhões de pessoas, da qual ambas as partes irão beneficiar”, adiantou a presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula Von der Leyen, numa publicação no X. E “isto é apenas o começo”, acrescentou.
Em comunicado, a CE explica que este é “o maior acordo alguma vez celebrado por qualquer uma das partes” e que serão eliminados até quatro mil milhões de euros anuais em direitos aduaneiros para os exportadores europeus.
Este pacto irá ainda “reforçar os laços económicos e políticos entre a segunda e a quarta maiores economias mundiais, num momento de crescentes tensões geopolíticas e desafios económicos globais”, acrescenta a mesma nota.
Espera-se que doravante as exportações de bens da UE para a índia dupliquem até 2032, já que o acordo irá reduzir as tarifas aduaneiras sobre bens europeus em 96,6%. Isto numa época em que ambos já comercializam mais de 180 mil milhões de euros em bens e serviços, anualmente.