Nem um dia após o novo Presidente da República ter tomado posse, a recente e apropriação nas redes sociais, por parte do ministro Leitão Amaro, da denominação ‘Presidência’, ameaça transformar-se no primeiro ‘irritante’ entre António José Seguro e o Governo de Luís Montenegro.
O anúncio, curiosamente feito horas depois da posse do novo Presidente da República, de que o ministro da Presidência do Conselho de Ministros (assim se designa a pasta liderada por Leitão Amaro) passava a utilizar nas redes sociais a designação de ‘Presidência’, está a criar um profundo mal-estar, tanto no Palácio de Belém, como mesmo no próprio Executivo, onde não faltam vozes críticas relativamente à opção tomada por Leitão Amaro, considerada como “gratuita”, “inábil” e “sem sentido”.
Esta decisão do ‘número quatro’ do Governo em apropriar-se da ‘marca’ que, à partida, deveria pertencer ao Presidente da República, surpreendeu tudo e todos, até mesmo os próprios responsáveis da comunicação de Luís Montenegro que, consta no interior do Executivo, há muito defendem uma menor exposição dos membros do Governo nas redes sociais. “Começa a ser complicado gerir não sei quantos ministros a comunicar nas suas próprias redes os ‘feitos’ dos seus ministérios quase como se fossem primeiros-ministros”, confidenciou ao 24Horas uma fonte atenta à estratégia comunicacional do Governo. E que conclui: “Em vez de termos um Governo, parece que temos 12 ou 13 governos, cada um a competir com o outro, para ver quem faz o melhor ‘boneco’ mediático e anuncia a melhor medida, começa a ser insustentável.”
Esta inopinada apropriação, por parte de Leitão Amaro, da denominação ‘Presidência’, sobrepondo-se, não só ao Presidente da República, mas também ao próprio líder do Executivo, foi a gota de água que fez transbordar o copo da paciência de Montenegro que – sabe o 24Horas – equaciona criar regras estritas sobre a utilização das redes sociais por parte dos membros do Governo, de forma a evitar, além destes mal-entendidos, o excessivo protagonismo.
Recorde-se que esta não é a primeira vez que a excessiva exposição nas redes sociais traz dissabores ao ministro Leitão Amaro. Há semanas, durante a tragédia da depressão Kristin, um vídeo publicado pelo ministro da Presidência nas suas páginas, suscitou fortes críticas e acusações de suposta autopromoção, tendo sido obrigado, poucas horas depois da sua divulgação, e perante a polémica causada, a remover o conteúdo das redes.