Peter Cullen, de 84 anos, ator norte-americano conhecido por ter criado a voz da criatura no filme ‘Predator’ (1987), recordou, numa entrevista recente, como decorreu a audição que esteve na origem de um dos sons mais icónicos do cinema de ficção científica.
Segundo contou, no dia do casting alertou o agente de que se encontrava com a garganta lesionada e a tossir sangue, na sequência do trabalho vocal intenso realizado em ‘King Kong’, mas acabou por comparecer devido à insistência do próprio representante.
“Conduzi até aos estúdios da Fox e disseram-me apenas que queriam que eu fizesse o som de um monstro”, relatou. Cullen pediu para ver a criatura antes de gravar, mas o pedido foi inicialmente recusado. Só após insistência lhe foi mostrado um excerto do filme, nomeadamente a cena final em que o Predador retira a máscara.
“Quando vi aquele rosto, com os tentáculos a moverem-se, fez-me lembrar um caranguejo-ferradura virado de cabeça para baixo, a morrer ao sol numa praia, algo que tinha visto em criança”, explicou o ator. A memória evocou-lhe sons de estalos e de bolhas a rebentar, sensações que procurou reproduzir vocalmente.
Foi a partir dessa inspiração que surgiu o característico som de estalo associado ao Predador, que se tornou uma das marcas sonoras mais reconhecíveis da personagem.
Tal como Peter Cullen, existem vários atores que permanecem “por detrás da máscara” de algumas das personagens mais marcantes da história de Hollywood.
Um dos exemplos mais conhecidos é Andy Serkis, de 61 anos, amplamente reconhecido pelo trabalho pioneiro em captura de movimento. O ator britânico deu vida a Sméagol/Gollum na trilogia ‘O Senhor dos Anéis’ (2001–2003), personagem que se tornou um marco no cinema digital. Em 2005, protagonizou King Kong, também através de performance motion capture, e voltou a emprestar movimentos e expressão a criaturas icónicas noutras produções. Mais recentemente, interpretou Carnificina em ‘Venom: Tempo de Carnificina’ (2021).
Outro nome de destaque é Benedict Cumberbatch, de 49 anos, responsável pela voz do dragão Smaug na trilogia ‘O Hobbit’ (2012–2014). Para além da interpretação vocal, o ator participou igualmente na construção física da personagem, recorrendo a técnicas de captura de movimento que contribuíram para o realismo da criatura criada pela Weta Digital.
Já Tony Todd, que morreu em novembro de 2024, aos 69 anos, ficou associado a várias figuras icónicas do terror e da ficção televisiva. Para além de ser amplamente reconhecido pelo papel principal em ‘Candyman’, deu também voz ao vilão Zoom na série ‘The Flash’ (2014), deixando uma marca duradoura junto dos fãs do género.