A ideia de que as mulheres em relação precisam de exatamente 47 minutos diários de atenção consciente para serem felizes tem surgido ciclicamente nas redes sociais. Apesar da sua aparente precisão, esta afirmação não tem qualquer sustentação científica. Não existe, na investigação académica, um número universal de minutos que garanta a felicidade ou a satisfação numa relação amorosa.
A psicologia das relações tem sido clara neste ponto: o que influencia de forma consistente o bem-estar dos casais não é a quantidade exata de tempo passado em conjunto, mas a qualidade das interações. O impacto do tempo partilhado varia de acordo com o contexto de vida, incluindo fatores como o stress diário, a fase vital, a carga mental, o equilíbrio na divisão de tarefas e as responsabilidades familiares ou profissionais.
Longos períodos de convivência não são, por si só, sinónimo de ligação emocional. Pelo contrário, momentos breves, mas frequentes, de verdadeira atenção e presença tendem a fortalecer mais o vínculo. Um abraço prolongado, uma conversa com escuta ativa ou uma demonstração de apreço ao longo do dia têm um efeito significativo na sensação de segurança emocional dentro da relação.
Investigadores como John e Julie Gottman, referências internacionais no estudo das relações de casal, destacam a importância dos chamados “bids for connection” – pequenos sinais ou tentativas diárias de estabelecer contacto emocional. Quando estes convites são reconhecidos e respondidos, aumentam a confiança, a intimidade e a satisfação relacional; quando são ignorados de forma repetida, contribuem para o afastamento emocional.
A ciência sublinha ainda que a felicidade em casal não depende apenas do tempo passado juntos, mas também da forma como o stress é gerido, da equidade nas responsabilidades e da capacidade de expressar reconhecimento e afeto no quotidiano. As relações mais satisfatórias não são necessariamente as que dispõem de mais tempo livre, mas aquelas em que existe constância, cuidado mútuo e atenção às necessidades emocionais.