Vladyslav Heraskevych, de 27 anos, foi desclassificado esta quinta-feira, dia 12, dos Jogos Olímpicos de Inverno por utilizar um capacete com imagens de atletas ucranianos mortos na guerra com a Rússia. A decisão foi anunciada pelo Comité Olímpico Internacional (COI).
De acordo com o COI, o atleta foi informado da decisão após uma reunião com a presidente do organismo, Kirsty Coventry, realizada na manhã do mesmo dia, no local da competição de esqui alpino, pouco antes do início da prova.
Em conferência de imprensa, Kirsty Coventry explicou que a decisão assenta no cumprimento das normas em vigor. “Eu não deveria estar aqui, mas achei muito importante vir e falar com ele pessoalmente”, afirmou. A responsável sublinhou ainda que não está em causa o conteúdo da mensagem. “Ninguém, especialmente eu, discorda da mensagem. É uma mensagem poderosa, uma mensagem de lembrança, de memória.”
Ainda assim, reforçou que o COI tem de aplicar os regulamentos. “Trata-se literalmente de regras e regulamentos e, neste caso, temos de ser capazes de manter um ambiente seguro para todos e, infelizmente, isso significa que não é permitido enviar mensagens.”
Segundo o organismo, foi apresentado ao atleta a possibilidade de exibir o denominado “capacete da memória”, onde constam 24 imagens de compatriotas falecidos, antes do início e após o final da prova. Foi igualmente autorizada a utilização de uma braçadeira preta durante a competição.
A equipa de Heraskevych já anunciou que irá recorrer da decisão junto do Tribunal Arbitral do Desporto.
Casos de sanções relacionadas com manifestações políticas não são inéditos na história olímpica. Um dos episódios mais marcantes ocorreu nos Jogos Olímpicos de Verão de 1968, na Cidade do México, quando os velocistas norte-americanos Tommie Smith e John Carlos ergueram o punho com luvas pretas durante a cerimónia de entrega de medalhas dos 200 metros, num protesto contra a discriminação racial nos Estados Unidos. Ambos foram expulsos dos Jogos, embora tenham mantido as respetivas medalhas.
Mais recentemente, nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, a atleta afegã de break Manizha Talash, integrante da equipa olímpica de refugiados, foi desclassificada após exibir uma capa com a mensagem “Liberdade para as mulheres afegãs” durante uma competição de qualificação.