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  • ''Perdemos com o Sporting porque o futebol é um desporto de merda'', Luis Enrique
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O Banco Central do Brasil decretou esta semana a liquidação extrajudicial do Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecido no mercado como Will Bank, uma instituição digital que integrava o mesmo grupo económico do Banco Master. A decisão marca mais um capítulo do processo de desmantelamento de um conglomerado financeiro que entrou em colapso após sucessivas falhas de gestão, problemas de solvabilidade e incapacidade de cumprir as exigências do regulador.

O Will Bank operava como banco digital, oferecendo contas, cartões, crédito e produtos de investimento a milhares de clientes. Embora tivesse uma marca própria e actuação autónoma no dia-a-dia, a instituição estava directamente ligada ao Banco Master, partilhando controlo accionista e estrutura financeira. Essa ligação acabou por ser determinante para o seu destino.

O que aconteceu ao Banco Master

O Banco Master entrou em crise após o Banco Central identificar insuficiência de capital, fragilidade patrimonial e riscos elevados para depositantes e investidores. Análises do regulador apontaram que o banco já não reunia condições para manter as operações de forma segura, colocando em causa a estabilidade do sistema financeiro. Em novembro de 2025, o Banco Central decidiu decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, encerrando as suas actividades e retirando-o do Sistema Financeiro Nacional.

A partir desse momento, todas as empresas do grupo passaram a estar sob forte escrutínio. O Will Bank foi inicialmente colocado num regime especial temporário, numa tentativa de encontrar uma solução que permitisse a sua continuidade. Essa alternativa, contudo, não se concretizou.

O problema com a Mastercard

A situação do Will Bank agravou-se quando a instituição deixou de repassar à Mastercard os valores correspondentes às transacções realizadas com os cartões dos seus clientes. O incumprimento das obrigações no sistema de pagamentos levou a Mastercard a suspender a aceitação de compras com cartões do Will Bank, retirando a instituição de um dos principais arranjos de pagamento do mercado.

Sem acesso ao sistema de cartões — peça central da sua operação enquanto banco digital — e sem capacidade financeira para regularizar a situação, o Will Bank perdeu as condições mínimas para continuar a operar, acelerando a decisão do Banco Central pela liquidação.

O que significa “liquidar” um banco

A liquidação extrajudicial é um instrumento legal utilizado quando uma instituição financeira se torna inviável. Na prática, implica o encerramento imediato das operações, a suspensão de serviços ao público e a nomeação de um liquidante, responsável por apurar activos e passivos, vender bens e organizar o pagamento aos credores.

Com a liquidação, o banco deixa de conceder crédito, processar pagamentos ou permitir movimentações de conta. O objectivo não é salvar a instituição, mas encerrar a actividade de forma ordenada, reduzindo os impactos para clientes e para o sistema financeiro.

A protecção do Fundo Garantidor de Créditos

Com a saída do Will Bank do mercado, entra em acção o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo criado para proteger depositantes em situações de falência ou liquidação bancária. O FGC garante a devolução de até 250 mil reais por pessoa ou empresa, por instituição financeira, considerando a soma de dinheiro em conta e de determinados investimentos cobertos.

Este valor corresponde, aproximadamente, a 40 mil euros. Clientes que tinham até esse montante no Will Bank deverão ser integralmente ressarcidos. Já quem mantinha valores superiores poderá não recuperar a totalidade do dinheiro, ficando a parte excedente dependente do resultado do processo de liquidação, que pode prolongar-se por meses ou mesmo anos.

Impactos para clientes e para o sistema financeiro

A liquidação do Will Bank representa mais um abalo na confiança em bancos digitais ligados a grupos financeiros fragilizados. Para os clientes, o processo traz incerteza e a necessidade de aguardar os prazos do FGC para reaver os valores garantidos. Para o sistema financeiro, a decisão do Banco Central reforça uma postura de intervenção firme, procurando impedir que problemas de um grupo se propaguem a outras instituições.

O encerramento do Will Bank confirma, assim, o fim de um projecto financeiro que não resistiu ao colapso do Banco Master e deixa uma mensagem clara do regulador: sem capital sólido, governação robusta e cumprimento rigoroso das regras do sistema de pagamentos, não há espaço sustentável para operar no sistema bancário brasileiro.

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