O candidato presidencial André Ventura afastou a intenção de acumular a liderança do Chega com o cargo de Presidente da República, caso vença a segunda volta das eleições em fevereiro de 2026. Em comunicado enviado ao Jornal de Notícias, o partido garante que Ventura respeitará a separação entre funções partidárias e de soberania.
A clarificação surge após alguma polémica em torno desta questão, que questionava a legitimidade de tal duplicação. Embora a Constituição da República Portuguesa não proiba explicitamente a acumulação, constitucionalistas como Daniel Gomes e Bacelar Vasconcelos, também em declarações ao ‘Jornal de Notícias’, defendem que a natureza do cargo de Chefe de Estado exige isenção e distanciamento das disputas partidárias. Segundo os especialistas, exercer a liderança ativa de um partido constituiria uma afronta ao Estado de Direito e às competências presidenciais.
Apesar do desmentido, persistem dúvidas. Nuno Afonso, ex-dirigente do partido escutado pelo jornal, sugere que Ventura poderá tentar manter o controlo para garantir a sobrevivência da estrutura. Contudo, o partido já avalia cenários de sucessão, com nomes como Pedro Pinto e Rita Matias no horizonte.