As notícias sobre a morte de quatro cidadãos britânicos com infeções gastrointestinais após terem passado férias na ilha do Sal são interpretadas no mercado turístico internacional como fazendo parte de uma campanha internacional para prejudicar o turismo de Cabo Verde e favorecer destinos concorrentes como as Canárias, Tunísia, Egito e Marrocos.
Segundo os jornais britânicos ‘Independent’ e ‘Metro’, Elena Walsh, de 64 anos, Mark Ashley, de 55, Karen Pooley, de 64, e outro homem não identificado morreram no final do ano passado após um período de férias em Cabo Verde. Terão sido alegadamente vítimas de infeções gastrointestinais agudas provocadas pela bactéria ‘shigella’. O ‘Metro’ avança que “milhares de turistas” foram infetados em Cabo Verde”.
Governo cabo-verdiano desmente a existência de qualquer surto
As autoridades cabo-verdianas desmentem categoricamente que haja um surto de ‘shigella’ no arquipélago: “Não existem evidências epidemiológicas públicas que confirmem um surto ativo. Os episódios descritos, se comparados como o milhão de visitantes anuais, representam uma ocorrência residual que não evidencia qualquer padrão epidemiológico” – disse hoje ao 24Horas o ministro da Saúde cabo-verdiano, o médico Jorge Figueiredo.

Os dados oficiais de saúde pública no Reino Unidos indicam que as doenças infeciosas gastrointestinais, incluindo as associadas à bactéria ‘shigella’, não constam entre as causas relevantes de mortalidade. São de baixa letalidade. Os óbitos ocorrem, regra geral, em pessoas com comorbilidades. Os relatórios de vigilância britânicos não identificam Cabo Verde como origem relevante de casos importados recentes.
Cabo Verde: uma maior procura no último ano como destino de férias
As notícias sobre o surto de ‘shigella’ em Cabo Verde surgem numa altura em que as companhias aéreas ‘low cost’ começaram a voar para o arquipélago – o que provocou grande procura turística em prejuízo dos destinos concorrentes. A maior acessibilidade aérea, aliada a preços mais competitivos, está a colocar Cabo Verde no centro das escolhas para férias de sol e praia, em especial no inverno, prejudicando alguns operadores britânicos que possuem interesses em outros destinos, nomeadamente nas Canárias, Tunísia, Egito e Marrocos. Desde o início das operações regulares de companhias ‘low cost’, o número de turistas registou um aumento expressivo. O arquipélago é, hoje, um dos destinos turísticos mais relevantes do Atlântico procurado pelo mercado britânico.