Durante a transmissão da 79.ª edição dos prémios BAFTA, realizada em Londres e emitida pela BBC com atraso, ocorreu um momento polémico que gerou críticas e levou a emissora a pedir desculpas publicamente. Durante a apresentação de um prémio pelos atores Michael B. Jordan e Delroy Lindo, foi audível na transmissão uma palavra considerada racista, que não foi removida antes da emissão e acabou por permanecer também disponível durante algum tempo na plataforma de streaming da estação.
O responsável pelo momento foi John Davidson, um ativista escocês com síndrome de Tourette, cuja participação estava ligada ao filme ‘I Swear’, baseado na sua própria experiência de vida. Pessoas com esta condição podem, em alguns casos, emitir sons ou palavras involuntárias, incluindo linguagem ofensiva, o que não reflete necessariamente as suas intenções ou convicções. Durante a cerimónia, o apresentador Alan Cumming esclareceu o público que determinados sons se deviam a Tecnologias da Informação e Comunicação (TICS), associados à condição de Davidson, apelando à compreensão de todos.
Após o incidente, a BBC reconheceu o erro e apresentou um pedido de desculpa, assumindo que a edição da transmissão não removeu o conteúdo ofensivo antes da emissão. A emissora referiu que a linguagem utilizada era forte e inapropriada e que o momento seria retirado da versão disponível na plataforma de streaming. Também a organização dos BAFTA lamentou o ocorrido, expressando arrependimento pelo impacto causado aos envolvidos e ao público.
O episódio suscitou críticas e debate público sobre a responsabilidade das emissoras na gestão de conteúdos sensíveis e sobre a importância de contextualizar situações relacionadas com condições de saúde. O caso voltou a destacar a necessidade de cuidado na transmissão televisiva e de maior sensibilização para temas como o racismo e as questões associadas a perturbações neurológicas.