Bruce Springsteen, de 76 anos, anunciou uma nova digressão pelos Estados Unidos em 2026, intitulada ‘Land of Hope and Dreams’, numa fase em que tem assumido um discurso particularmente interventivo sobre o momento político e social norte-americano. A tournée arranca a 31 de março, em Minneapolis, e termina a 27 de maio, em Washington, D.C., contando com um total de 20 concertos em arenas e grandes recintos, incluindo um espetáculo final ao ar livre. Este regresso aos palcos acontece após vários anos dedicados sobretudo a digressões internacionais.
Com mais de cinco décadas de carreira, Springsteen tem apresentado estes espetáculos como mais do que simples concertos de rock, descrevendo-os como uma celebração dos valores democráticos e do chamado ‘sonho americano’. Em declarações associadas ao anúncio da digressão, o músico referiu que os Estados Unidos atravessam “tempos sombrios” e sublinhou a importância de defender princípios como a liberdade, a justiça e o respeito pela Constituição, temas que têm sido recorrentes no seu repertório e nas suas intervenções públicas.
A dimensão política desta nova digressão surge também na sequência de críticas abertas ao antigo presidente Donald Trump, a quem Springsteen tem apontado responsabilidades no que considera ser uma erosão de valores democráticos. As declarações do artista motivaram reações públicas por parte de figuras ligadas ao universo republicano, alimentando um debate que ultrapassa o plano artístico e se insere na atual polarização da sociedade norte-americana.
Apesar do enquadramento político, a expectativa centra-se igualmente na vertente musical. Conhecido pela intensidade dos seus concertos e por alinhamentos que cruzam clássicos como ‘Born to Run’ ou ‘Dancing in the Dark’ com temas mais recentes, Springsteen mantém a reputação de oferecer atuações longas e emocionalmente marcantes. Para o público português que acompanha a sua carreira, esta digressão reforça a imagem de um artista que continua a usar o palco não só como espaço de entretenimento, mas também como plataforma de intervenção cívica.