Frase do dia

  • “Não será por mim que duração da legislatura será interrompida”, António José Seguro
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O antigo estratega do PT, João Santana, responsável por campanhas presidenciais vitoriosas de Luiz Inácio Lula da Silva, lançou um aviso público que ecoou para lá do universo partidário: a presença do presidente e da primeira-dama, Janja da Silva, no desfile que homenageia Lula no Carnaval do Rio pode transformar-se num erro estratégico em pleno ano político.

Num vídeo divulgado nas redes sociais, Santana foi direto: “Não sou Nostradamus, mas me parece que se produzirá um cenário de soma negativa.” E reforçou: “O tiro pode sair pela culatra.” A expressão, repetida e destacada por ele, sintetiza a sua leitura de que a exposição festiva, ainda que simbólica e cultural, pode gerar efeitos contrários aos pretendidos.

A escola Académicos de Niterói levará à Marquês de Sapucaí um enredo centrado na trajetória política de Lula. A expectativa é que o Presidente acompanhe o desfile num camarote, enquanto Janja poderá integrar um dos momentos de destaque na avenida. Para Santana, porém, o problema não está na festa em si, mas no timing.

“O Carnaval é irreverência, é crítica, é exagero. Não é ambiente de construção de imagem institucional”, observou. Segundo ele, a política, sobretudo em ano eleitoral, exige cálculo e contenção. “A presença ali pode mobilizar apoiantes, mas também energiza adversários”, argumentou, sublinhando que a repercussão não se limita ao Sambódromo. “O impacto real acontece fora da bolha da festa.”

A crítica ganha peso por vir de alguém que conhece os bastidores da comunicação política de Lula. Santana relembra que, historicamente, líderes evitam exposição direta em eventos onde a narrativa não está sob controlo. “Quando se entra num palco desses, a mensagem deixa de ser apenas sua”, afirmou no vídeo. Na sua análise, imagens e discursos produzidos na avenida podem ser recortados e reutilizados ao longo da campanha, alimentando leituras adversas.

A polémica ganhou outra dimensão ao envolver a TV Globo, detentora dos direitos de transmissão do Carnaval. Nas redes sociais, críticos acusam a emissora de dar palco privilegiado a uma homenagem que, em contexto eleitoral, pode ser interpretada como capital político. A Globo sustenta tratar-se de cobertura cultural tradicional, sem qualquer intenção de favorecimento. Ainda assim, o simples facto de a maior vitrina televisiva do país transmitir em horário nobre um enredo dedicado ao presidente acrescenta tensão ao debate.

Partidos da oposição chegaram a questionar se o desfile poderia configurar propaganda antecipada. A Justiça Eleitoral não viu elementos suficientes para impedir a apresentação, mas a controvérsia permanece no campo político e simbólico.

A reflexão de Santana vai além do episódio concreto. Para ele, o risco reside na percepção pública. “Em ano eleitoral, tudo é lido politicamente”, disse. Mesmo uma homenagem artística pode ser interpretada como estratégia de mobilização ou como demonstração de proximidade excessiva entre poder e espectáculo.

O ex-marqueteiro não nega a força popular do Carnaval nem o valor cultural das escolas de samba. O que questiona é a conveniência. Na sua visão, uma celebração desse tipo poderia ter sido realizada noutra conjuntura, longe da disputa presidencial que se avizinha. Ao misturar festa e política no mesmo palco, argumenta, corre-se o risco de transformar um momento de celebração numa peça de confronto.

No fim, a advertência de João Santana soa menos como crítica pessoal e mais como análise fria de cenário. Num ambiente polarizado, cada gesto é amplificado. E, como ele próprio resumiu, quando a política entra na avenida em ano eleitoral, o aplauso pode rapidamente converter-se em munição para o outro lado.

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