O estudo analisou dados de mais de 22.700 veículos, pertencentes a 21 fabricantes diferentes, e conclui que o comportamento de carregamento passou a ter um impacto significativo na velocidade de envelhecimento das baterias.
Um relatório desenvolvido pela empresa canadiana Geotab, concluiu que o recurso frequente ao carregamento rápido pode acelerar a degradação das baterias dos veículos elétricos, apesar de estas continuarem, em geral, a apresentar um bom desempenho ao longo da sua vida útil.
Nos Estados Unidos, a rápida expansão das estações públicas de carregamento rápido tem facilitado o dia a dia dos condutores, reduzindo tempos de espera. No entanto, a Geotab alerta que o uso frequente de carregadores de nível 3, com potências superiores a 100 quilowatts (kW), pode duplicar a taxa de desgaste da bateria quando comparado com carregamentos mais lentos.
De acordo com os dados do estudo, os veículos que recorrem ao carregamento rápido em menos de 12% das sessões apresentam uma degradação média anual de cerca de 1,5%, valor que sobe para 2,5% ao ano quando essa utilização ultrapassa os 12%. Nos casos em que o carregamento rápido representa mais de 40% das sessões, a perda de capacidade da bateria pode atingir cerca de 3% por ano.
“Os nossos dados mostram que as baterias continuam a durar para além dos ciclos de substituição previstos pela maioria das frotas. O que mudou foi o impacto do comportamento de carregamento, que passou a desempenhar um papel muito mais relevante no envelhecimento das baterias”, explica Charlotte Argue, responsável sénior de Mobilidade Sustentável da Geotab.
Segundo o relatório, em 2024 a taxa média anual de degradação situava-se nos 1,8%, subindo para 2,3% em 2025. A empresa associa este aumento à crescente dependência de redes de carregamento de alta potência, como Tesla Superchargers, Electrify America, ChargePoint e Ionna.
Ainda assim, o carregamento rápido não é o único fator a influenciar a saúde das baterias. A Geotab sublinha que elementos como a composição química, o design do fabricante, os hábitos de condução e as condições climáticas também têm um impacto significativo na durabilidade.
Em Portugal, o número de veículos elétricos continua a crescer, assim como a infraestrutura de carregamento. Só a rede pública Mobi.E conta, em 2025, com mais de 7.000 postos de carregamento, segundo dados do portal Mobidata.
Apesar dos alertas, o estudo reforça que o carregamento rápido não significa o fim prematuro da bateria. Por exemplo, um Tesla Model Y, com uma autonomia inicial de 575 quilómetros, poderá ainda oferecer cerca de 459 quilómetros após oito anos de utilização moderada de carregamento rápido.
Os especialistas aconselham aos condutores a utilizarem carregadores rápidos apenas quando necessário e seguir sempre as recomendações do fabricante. Os veículos elétricos atuais foram concebidos para suportar a expansão das redes de alta potência, garantindo segurança e durabilidade das baterias ao longo de vários anos.