A casa de José Cid, em Mogofores, Anadia, sofreu danos durante a tempestade provocada pela depressão Kristin, mas não se registaram feridos. O incidente afetou especialmente a capela interior da habitação, uma construção de arte nova do início do século XX.
José Cid explicou ao 24Horas que a árvore, um pinheiro centenário plantado pelo seu pai, caiu sobre a casa durante a madrugada. “O que acontece é que eu toda a vida, isto é um pinheiro muito, muito grande – que o meu pai plantou – e como foi meu pai plantou, eu recusei-me sempre a deitá-lo abaixo”, disse.
Apesar de saber que a árvore representava algum perigo, José Cid apenas cortou ramos que poderiam ser perigosos. “Cortei um ramo que invadia a parte de cima da casa, que deixava caruma e entupia os canais da rega da casa. Mas nunca deitei a árvore abaixo”, explicou.
O músico descreveu o momento em que a árvore caiu: “A árvore esta madrugada caiu para cima da casa e espatifou. O que era grave é que a minha filha estava a dormir a cerca de 10 metros dos últimos ramos. Um bocadinho mais e caía no quarto dela.”
A filha, confusa, pensou inicialmente que se tratava de um “terremoto e ao mesmo tempo, fantasmas”, e só percebeu a dimensão do desastre ao meio-dia. A companheira de José Cid, Gabriela, foi a primeira a contactar as autoridades locais, que rapidamente prestaram apoio. “Vieram ajudar a minha mulher com o meu advogado. Lançaram logo os apoios todos e as coisas estão a ser tratadas”, afirmou.
Apesar dos estragos, José Cid decidiu disponibilizar parte da madeira do pinheiro à população local. “Comecei a dar a lenha toda para a população, porque há gente pobre na terra. Dei-lhes logo, podem tirar o que quiserem”, disse.
Sobre a casa, José Cid mostrou-se emotivo: “A casa é muito bonita. É do meu bisavô, do meu avô, do meu pai e agora é minha. Não vou deitar fora.” E acrescentou sobre o dia a dia na habitação: “Aqui vivemos um bocado com desconforto, particularmente no inverno, porque não se pode acender a lareira sem risco. Temos que andar com aquecedores. Ar condicionado é impensável.”
Os trabalhos de reparação já começaram, e José Cid mostrou-se grato pelo apoio recebido: “A vida agora é mandar arranjar, não é? Agradeço o empenho de todos.”

