Um debate requerido pelo Chega na Assembleia da República, subordinado ao tema ‘As acusações de racismo na sociedade, no desporto e no sistema político: é preciso virar a página’, acabou por provocar um novo confronto verbal entre André Ventura e a vice-presidente do Parlamento, Teresa Morais. O episódio desta quinta-feira, dia 6, culminou com a saída da bancada do partido do hemiciclo.
Pelo segundo dia consecutivo, André Ventura e Teresa Morais protagonizaram uma troca de acusações durante os trabalhos parlamentares.
No seu discurso, o líder do Chega acusou a deputada do PS Isabel Moreira e as líderes parlamentares do Livre e do PCP de ignorarem deliberadamente situações de violência quando as vítimas são estrangeiras. Ventura afirmou que essas responsáveis políticas optam por “esconder e ignorar propositadamente quando compatriotas suas são violadas, agredidas, mutiladas, perseguidas e assediadas”.
O protagonista do Chega acrescentou ainda: “Se fossem portugueses, estavam aqui aos gritos! Como são estrangeiros, protegem, porque preferem os criminosos às mulheres que são vítimas de crimes.”
As declarações levaram Teresa Morais, que esta semana preside às sessões em substituição de José Pedro Aguiar-Branco, a reagir antes de dar por concluídos os trabalhos. A vice-presidente sublinhou que “nenhuma mulher nesta casa, esteja ela sentada numa bancada à esquerda ou à direita, quer esconder violadores ou ignorar violações de mulheres”.
A resposta irritou o líder do Chega, que criticou a intervenção da presidente em exercício, afirmando que “é às bancadas das oposições que cabe fazer o discurso político”. Dirigindo-se diretamente a Teresa Morais, declarou ainda: “A senhora é uma vergonha para as funções que exerce neste Parlamento!”
A vice-presidente do Parlamento respondeu às críticas, defendendo que Ventura “não tem factos a apontar” e que as suas intervenções visam apenas “arrancar palmas à sua bancada”.
Durante o confronto, o deputado do Chega Filipe Melo – também vice-presidente da Assembleia – deixou a mesa para se juntar ao grupo parlamentar do seu partido e começou a interpelar Teresa Morais. A dirigente social-democrata reagiu, pedindo-lhe silêncio e criticando a sua atitude: “Já toda a gente percebeu que o senhor deputado está na mesa a fazer trejeitos infelizes. E depois sai da mesa quando lhe apetece para vaiar a mesa”.
Perante o aumento dos protestos por parte do Chega, todos os deputados do partido abandonaram o plenário. Enquanto saía, André Ventura voltou a dirigir-se a Teresa Morais, repetindo: “A senhora é uma vergonha para as funções que exerce no Parlamento!”
Antes de encerrar a sessão, Teresa Morais reiterou que não poderia aceitar declarações que insinuassem que deputadas de determinadas bancadas escondem crimes de violação ou ignoram agressões contra mulheres. As suas palavras foram aplaudidas pelas restantes bancadas parlamentares.