O livro ‘Gente Pouco Recomendável’, da autoria de Sarah Wynn-Williams, chega esta quarta-feira, dia 21, às livrarias portuguesas. A obra, assinada pela ex-diretora do Facebook, expõe o funcionamento interno da empresa hoje integrada no grupo Meta, num contexto marcado por polémica após uma decisão arbitral que tentou limitar a sua publicação.
Com o subtítulo ‘Uma história real sobre poder, ganância e idealismo perdido’, o livro constitui um relato na primeira pessoa dos sete anos em que Sarah Wynn-Williams exerceu funções como diretora de Políticas Públicas Globais no Facebook. Ao longo da narrativa, a autora descreve uma organização obcecada com o crescimento, caracterizada por uma cultura interna tóxica, ambições contraditórias e processos de decisão pouco escrutinados, apesar do impacto global da plataforma.
Segundo a sinopse, trata-se de “um retrato implacável da corrupção moral e política do setor digital”, escrito num tom crítico e assumidamente direto, que aponta a forma como decisões tomadas por um número reduzido de executivos condicionam a vida de milhões de utilizadores em todo o mundo. O livro é apresentado como a obra que Mark Zuckerberg terá tentado impedir de ver a luz do dia, através de mecanismos legais.
A Meta recorreu à American Arbitration Association, um organismo privado de arbitragem, alegando que a promoção do livro poderia causar “danos imediatos e irreparáveis” à empresa. Na sequência desse pedido, foi emitida uma decisão provisória que impede a autora de promover publicamente a obra, incluindo a concessão de entrevistas, participação em eventos de lançamento ou outras ações promocionais.
A decisão, no entanto, não se estende à editora, a Pan Macmillan, que reafirmou o seu compromisso com a liberdade de expressão e com o direito da autora a relatar a sua experiência profissional. Desta forma, o livro pode continuar a ser vendido e distribuído normalmente nas livrarias.
No seu testemunho, Sarah Wynn-Williams aborda episódios de assédio e abuso de poder no interior da empresa, bem como decisões políticas controversas associadas à atuação do Facebook. Entre os temas abordados estão o papel da plataforma na disseminação de desinformação durante as eleições presidenciais norte-americanas de 2016, a propagação de discurso de ódio em Myanmar e contactos com regimes autoritários, incluindo projetos desenvolvidos com vista à entrada no mercado chinês.