Frase do dia

  • “Portugal tem sido o país mais cooperante com os EUA, a permitir continuar a guerra ilegítima no Irão, fornecendo uma base de borla. Somos cobardes”, Miguel Sousa Tavares
  • “Portugal tem sido o país mais cooperante com os EUA, a permitir continuar a guerra ilegítima no Irão, fornecendo uma base de borla. Somos cobardes”, Miguel Sousa Tavares
  • “Portugal tem sido o país mais cooperante com os EUA, a permitir continuar a guerra ilegítima no Irão, fornecendo uma base de borla. Somos cobardes”, Miguel Sousa Tavares
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Na Câmara de Matosinhos, os concursos públicos são uma limpeza. Os administradores da Wegho, uma empresa do vizinho concelho da Maia, que o digam: com uma vassourada de 772 mil euros, limparam o concurso público para, ao longo de um ano, deixarem como um brinco todos os edifícios municipais.

A Wegho conseguiu varrer do concurso a concorrente Euromex – que, apesar de ter apresentado um preço mais baixo, 716 mil euros, foi empurrada para debaixo do tapete.

A limpeza dos edifícios municipais de Matosinhos cheira a esturro. Nem com uma mola no nariz dá para aguentar o incomodativo mau-odor. Ricardo Teixeira, o diretor do departamento municipal de conservação, não se sente nada incomodado. Pelo contrário. Respira a pestilência como ar puro e fresco – principalmente depois de a empresa vencedora, a Wegho, ter passado a patrocinar as equipas de voleibol e de andebol da Associação Académica de São Mamede de que ele é vice-presidente.

Numa primeira fase, a Euromex foi sumariamente excluída por ter apresentado um valor acima do preço-base fixado em 857 mil euros. A empresa reclamou. O júri, afinal, tinha lido mal e voltou atrás. A proposta era mesmo de 716 mil euros, não ultrapassava o preço-base de 857 mil, e estava abaixo dos 772 mil da Wegho. A Euromex, ainda assim, parecia condenada neste concurso muito pouco asseado.

O júri achou que o preço de 716 mil euros era “anormalmente baixo”. De nada valeu à empresa ter demonstrado que o valor não era assim tão curto: dava para cumprir as obrigações contratuais e ainda sobrava margem de lucro. A Wegho, feitas as contas, estaria a cobrar 60 mil euros a mais. Mas não era o rombo no erário público que preocupava o júri.

A avaliar pela decisão de adjudicar o serviço à empresa mais cara, o júri deve ter avaliado a qualidade das vassouras, as fibras sintéticas dos panos de pó, os princípios ativos dos detergentes, a destreza da mão-de-obra. Concluiu que a Wegho limpava mais claro. Foi uma limpeza. A empresa abichou o serviço por 772 mil euros, cerca de 60 mil acima do valor proposto pela empresa excluída, e passou a patrocinar o clube de que o diretor do departamento municipal contratante é vice-presidente.

Tudo claro, tão claro que até ofusca.

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