O reinado mais curto de todos os tempos durou apenas 20 minutos e pertenceu a um príncipe português. D. Luís Filipe de Bragança, filho mais velho do rei D. Carlos, tornou-se rei de Portugal por breves instantes, num dos episódios mais trágicos da monarquia nacional. Aconteceu há 118 anos.
Tudo aconteceu a 1 de fevereiro de 1908, no dia do Regicídio de Lisboa. A família real regressava de Vila Viçosa quando, ao atravessar o Terreiro do Paço, a carruagem aberta foi alvo de vários disparos efetuados por dois militantes republicanos, Manuel Buíça e Alfredo Costa.
O rei D. Carlos morreu de imediato. Nesse momento, o príncipe herdeiro, com apenas 20 anos, tornou-se automaticamente rei. No entanto, o reinado de D. Luís Filipe duraria muito pouco. Gravemente ferido com tiros no peito e no rosto, ainda tentou reagir com a sua arma, mas acabou por sucumbir cerca de 20 minutos depois.
De acordo com o Guinness World Records, este episódio é oficialmente reconhecido como o reinado mais curto de sempre.
Curiosamente, este recorde é partilhado com outro membro da realeza europeia. Em julho de 1830, Luís António de França, conhecido como Luís XIX, tornou-se rei durante cerca de 20 minutos, após a abdicação do pai, Carlos X, no contexto da Revolução de Julho.
No extremo oposto da História, Portugal também conheceu reinados longos. D. João I governou durante cerca de 48 anos, entre 1385 e 1433. Ainda assim, fica longe de recordes internacionais, como o da rainha Isabel II, que reinou no Reino Unido durante 70 anos, até a sua morte em 2022, e o do faraó Pepi II, do Antigo Egito, que terá governado durante cerca de 94 anos, depois de subir ao trono com apenas seis anos de idade.
A curta passagem de D. Luís Filipe pela História ficou marcada pela tentativa desesperada de defender o pai até ao último segundo de vida. Numa biografia escrita por Isabel Lencastre, chamada “O Rei que Não Reinou”, é devolvido protagonismo a uma figura esquecida, mas central para entender o fim da monarquia portuguesa.