A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) identificou que vários médicos do serviço de Dermatologia da Unidade Local de Saúde de Santa Maria receberam montantes muito significativos por cirurgias em produção adicional, ultrapassando mesmo os 200 mil euros em apenas dois anos. Estes valores somam-se ao caso já amplamente noticiado de Miguel Alpalhão.
De acordo com os dados apurados pelo Observador, destacam-se os internos Diogo de Sousa e Lanyu Sun, que obtiveram, respetivamente, cerca de 233 mil e 201 mil euros, entre 2024 e 2025. Em ambos os casos, a grande maioria das remunerações – 172 mil euros no primeiro e 177 mil euros no segundo – concentrou-se em 2024, ano em que a despesa do serviço com cirurgias adicionais disparou.
A IGAS verificou ainda que, a seguir a Alpalhão, a médica Rita Travassos foi quem reuniu o valor global mais elevado no conjunto dos quatro anos analisados: cerca de 237 mil euros, dos quais quase 145 mil também em 2024. Seguem-se Dora Mancha, com 178 mil euros obtidos em três anos, e Cláudia Pedrosa, que somou 138 mil euros apenas em 2024. O relatório assinala que, até outubro desse ano, oito dos dez profissionais com maior remuneração por cirurgias adicionais pertenciam à Dermatologia.
A inspeção refere que 2024 marcou um salto abrupto nos pagamentos: a ULS de Santa Maria gastou cerca de 712 mil euros em produção adicional nesse ano – mais do triplo do valor de 2023. Parte importante desta despesa resultou da classificação incorreta de procedimentos, registados como cirurgias de ambulatório quando deveriam ser considerados pequena cirurgia, uma diferença que aumenta substancialmente o valor pago às equipas.
A IGAS conclui que estas classificações erradas beneficiaram vários profissionais, não apenas médicos, e recomenda à ULS de Santa Maria que procure recuperar as verbas pagas indevidamente, através de um acerto contabilístico que reflita a diferença entre os valores pagos e os que deveriam ter sido aplicados.