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  • 'O que é que fazem primeiros-ministros e presidentes da República no X?', Paulo Portas
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A COP30 atingiu hoje um dos momentos mais tensos desde o início das negociações em Belém. O mais recente rascunho do texto final provocou uma forte onda de indignação ao retirar praticamente todas as referências à eliminação progressiva dos combustíveis fósseis. A ausência de um compromisso claro desencadeou críticas severas de organizações ambientais, especialistas e várias delegações.

Mais de trinta países enviaram uma carta formal à presidência da conferência a manifestar descontentamento com a falta de avanços e a ausência de um roteiro concreto para a transição energética. Governos de diferentes regiões alertam que o processo perdeu rumo, sobretudo por não apresentar metas objectivas nem compromissos verificáveis. Para muitos negociadores, existe agora um risco real de a cimeira terminar sem acordo — um cenário visto como um fracasso político e climático com impactos globais.

O texto apresentado propõe um mecanismo voluntário para acelerar a implementação de políticas climáticas, mas evita definir obrigações vinculativas para a redução das emissões e para o abandono dos combustíveis fósseis. Países mais vulneráveis afirmam que o documento falha no essencial e não reflecte a urgência científica, lembrando que o mundo se aproxima rapidamente do limite de aquecimento considerado seguro.

A tensão na conferência aumentou ainda mais após um incêndio na Zona Azul, que obrigou à evacuação de dezenas de delegados e interrompeu temporariamente as negociações. O incidente adicionou pressão a um processo já marcado por atrasos e divergências profundas.

No meio deste impasse, a ministra do Ambiente de Portugal assumiu uma posição firme. Disse que “não há espaço para retrocessos” e avisou que, sem um acordo ambicioso e transparente, “todos vamos perder — países, economias e sobretudo as pessoas que já sofrem os efeitos da crise climática”. A ministra reforçou que a COP30 não pode transformar-se numa reunião meramente simbólica e que a responsabilidade histórica desta conferência exige coragem política e clareza de objectivos.

O rascunho inclui também a proposta de triplicar o financiamento destinado à adaptação climática até 2030, mas vários países consideram que esse avanço não compensa a falta de medidas concretas para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

Com as negociações à beira da ruptura, cresce a possibilidade de prolongar a cimeira para além do prazo previsto. Os próximos dias serão decisivos para determinar se Belém ficará marcada como um ponto de viragem na diplomacia climática ou como a conferência que falhou quando o planeta já não podia esperar.

O repórter do 24Horas, Diego Leite, conta-lhe tudo:

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