João Cotrim de Figueiredo, de 64 anos, mostrou-se irritado com a imprensa, esta quinta-feira, dia 15, quando voltou a falar das alegações de assédio sexual de que é alvo. O candidato à Presidência da República acusou os jornalistas de não terem feito “o trabalho jornalístico como deve ser”, quando o questionaram, na segunda-feira, 12, sobre o caso em plena campanha.
O liberal garante que não teve “qualquer hipótese de contraditório”, já que foi questionado “ao vivo, em direto, com 19 microfones” e questionou a imprensa sobre qual o motivo de não ter sido contactado antes para se defender.
“Deem-me um exemplo de uma noticia que tenha saltado para a comunicação social tradicional, supostamente responsável, com base num post privado não confirmado”, afirmou durante uma visita a uma fábrica, em Santo Tirso. O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal (IL) confirmou que soube agora que os rumores de assédio já circulavam nas redações há alguns anos, mas rejeita a ideia de que exista alguma queixa feita ao partido, em 2023, tal como a sua antiga assessora garante.
Quando questionado pelos jornalistas, que o confrontaram com o facto de a sua comitiva ter sido abordada, uma hora antes, da sua declaração feita na segunda-feira, sobre o motivo pelo qual se tinha de preparar, João Cotrim de Figueiredo ripostou que o tema não se prepara numa hora: “Estava disponível [para esclarecer], porque agora já não vale a pena, já percebi.”
O eurodeputado foi mais longe e questionou diretamente os jornalistas: “Vocês têm ideia do que é que fizeram à minha vida?” Para João Cotrim de Figueiredo, a imprensa está a fazer da acusação “um caso de campanha”, já que fazem perguntas constantes sobre esse tema, sem o menor esforço de tentar fazer uma cobertura equilibrada e sã”.
Recorde-se que em causa está a acusação feita pela advogada Inês Bichão, que publicou nas suas redes sociais um texto onde apontou o dedo a João Cotrim de Figueiredo. Na publicação, a antiga assessora da IL reconheceu “inteligência e competência ao João”, mas lembrou que foi um desafio trabalhar com o agora candidato a vários níveis, referindo que não se vai esquecer das várias vezes em que lhe disse “excelente trabalho, só falta abrires as pernas comigo”, “de que tipo de homens gostas?”, “mais grossa ou mais comprida?”.