Num gesto pouco comum nas relações entre Washington e Havana, o Governo cubano anunciou que autorizou a entrada de investigadores do FBI em território da ilha para colaborarem na investigação do incidente envolvendo uma lancha proveniente dos Estados Unidos que terminou com mortos e feridos no final de fevereiro.
O episódio ocorreu a 25 de fevereiro, quando uma lancha rápida registada no estado norte-americano da Florida foi intercetada por uma patrulha das Tropas Guardafronteiras cubanas ao largo da costa da província de Villa Clara, em águas territoriais da ilha. Segundo as autoridades cubanas, a embarcação transportava dez pessoas fortemente armadas e terá aberto fogo contra a patrulha ao ser abordada, desencadeando um confronto armado. O tiroteio resultou na morte de vários ocupantes da lancha e em múltiplos feridos, além de um oficial cubano ferido. 
Havana sustenta que se tratou de uma tentativa de infiltração armada organizada por exilados cubanos residentes nos Estados Unidos e destinada a desencadear ações violentas contra o regime. A bordo da embarcação teriam sido encontrados rifles de assalto, pistolas, munições, coletes balísticos e outros equipamentos de caráter militar. 
Perante a dimensão internacional do incidente — e o facto de alguns dos envolvidos terem cidadania ou residência legal nos Estados Unidos — o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, confirmou que especialistas do FBI irão deslocar-se a Cuba para cooperar com as autoridades locais na investigação. A colaboração foi organizada através de canais diplomáticos e consulares entre os dois países. 
Do lado norte-americano, responsáveis governamentais negaram qualquer envolvimento oficial na operação e afirmaram que também pretendem apurar as circunstâncias do ocorrido. Washington solicitou igualmente acesso consular aos sobreviventes detidos pelas autoridades cubanas. 
A cooperação judicial entre os dois países surge num momento particularmente tenso das relações bilaterais, marcado por sanções económicas e divergências políticas profundas. Ainda assim, o envio de investigadores do FBI para a ilha é visto por analistas como um episódio raro de colaboração direta entre dois governos que mantêm, há décadas, uma relação marcada pela desconfiança.