Havana rejeitou qualquer possibilidade de negociar com os Estados Unidos uma eventual saída de Miguel Díaz-Canel do poder, reafirmando a soberania política do país num momento de forte pressão externa e crise interna.
A posição foi expressa pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos Fernández de Cossío, que garantiu que “o sistema político de Cuba não está em negociação”, recusando categoricamente qualquer cenário em que Washington influencie a liderança cubana. A reação surge após notícias na imprensa norte-americana darem conta de alegadas propostas dos EUA para acelerar a saída de Díaz-Canel como parte de um entendimento mais amplo.
Apesar da recusa, Havana admite manter contactos com os Estados Unidos, sobretudo com o objetivo de aliviar o impacto do embargo económico, em vigor desde 1960. Entre os temas em discussão estarão o comércio bilateral e reivindicações financeiras históricas, incluindo indemnizações por propriedades nacionalizadas após a Revolução de 1959.
O endurecimento da posição cubana surge num contexto de agravamento da crise energética e económica. A escassez de combustíveis tem provocado apagões prolongados, disrupções nos serviços básicos e dificuldades no quotidiano da população, aumentando a pressão sobre o regime.
Ainda assim, o Governo cubano insiste em separar o diálogo económico de qualquer ingerência política, sublinhando que o futuro do país será decidido exclusivamente pelos cubanos. Ao mesmo tempo, prosseguem iniciativas internacionais de apoio humanitário à ilha, num cenário que continua marcado por elevada incerteza.