O Papa encerrou esta terça-feira, dia 6, o Ano Santo de 2025, no Vaticano, condenando o consumismo e a xenofobia, e convocou os cardeais para iniciarem na quarta (7) dois dias de reuniões sobre a governação da Igreja Católica.
O discurso serviu para fechar o Jubileu – um Ano Santo que acontece geralmente a cada 25 anos, proclamado por Leão XIV como um tempo especial de perdão, reconciliação e renovação espiritual –, que levou cerca de 33 milhões de peregrinos a Roma e incluiu uma transição histórica de um pontífice americano para outro.
Na presença de cardeais e diplomatas de todo o mundo, o Papa ajoelhou-se em oração no chão de pedra no limiar da Porta Santa da Basílica de São Pedro, tendo depois fechado as duas portas, para completar simbolicamente o mais raro dos Jubileus, já que foi aberto pelo antecessor, Francisco, em dezembro de 2024, e encerrado pelo sucessor, um ano depois. Esta situação só se tinha verificado uma vez, em 1700.
A cerimónia desta terça-feira, no início da missa que celebra a festa da Epifania (quando os três Reis Magos ofereceram presentes ao recém nascido Jesus), terminou um ano vertiginoso de audiências especiais, missas e reuniões que dominaram os primeiros meses de Leão XIV como pontífice e colocaram a sua própria agenda em suspenso.
Para sinalizar que o seu pontificado pode agora começar de facto, o Papa convocou os cardeais de todo o mundo para o Vaticano, para reuniões na quarta e quinta-feira que visam debater a governação da Igreja Católica, com os seus 1,4 mil milhões de fiéis.
Na homilia, Leão XIV disse que o ano jubilar convidou todos os cristãos a refletirem sobre os ensinamentos bíblicos de acolher o estrangeiro e de resistir à “bajulação e sedução daqueles que detêm o poder”.
“À nossa volta, uma economia distorcida tenta lucrar com tudo”, criticou, adiantando esperar que este ano seja possível reconhecer “um peregrino no visitante, um buscador no estrangeiro, um próximo no forasteiro e um companheiro de viagem naquele que é diferentes”.
Os Anos Santos abrangem habitualmente grades projetos de obras públicas, como foi o caso da construção da Capela Sistina (encomendada pelo Papa Sisto IV para o Jubileu de 1475) e da grande garagem do Vaticano, onde estão estacionados os papamóveis e outros veículos (encomendada por João Paulo II para o Jubileu de 2000).
Algumas obras foram polémicas, como a construção da Via della Conciliazione, em 1950, que conduz à Praça de São Pedro e que implicou a demolição de um bairro inteiro
Leão XIV anunciou também que o próximo Jubileu será em 2033, para comemorar os 2 mil anos que as Escrituras assinalam como a morte e ressurreição de Jesus Cristo, em 33 d.C.