Imagine que o combate aos incêndios poderia ser facilitado se apenas um gadget conseguisse chegar aos locais mais difíceis e apagar as chamas em segundos. Este cenário já é possível na China e tende a expandir‑se para outros países. Mas será que já chegou a Portugal?
O EHang 216F é um drone autónomo de combate a incêndios, especificamente desenvolvido para lidar com fogos em arranha-céus, onde os métodos tradicionais de bombeiros podem ter dificuldades – uma situação frequente em território nacional.
Este engenho é uma versão adaptada do veículo aéreo não tripulado (AAV) de passageiros EHang 216 e é um marco tecnológico na segurança contra incêndios urbano
O drone pode transportar até 150 litros de espuma extintora por voo e está equipado com seis projéteis extintores, capazes de quebrar janelas e dispersar agentes extintores no interior dos edifícios. Para identificar o ponto exato da emergência, utiliza um sistema de mira laser, sensores e uma câmara de luz visível com zoom ótico de 10x.
Quanto à rapidez de atuação, o EHang 216F consegue responder a chamadas de emergência mais depressa do que equipas terrestres em áreas densamente povoadas.
O principal objetivo desta proposta é combater o fogo de forma mais rápida e que ajude a que este não se alastre. Reduz, ainda, o risco para os bombeiros ao não expô-los diretamente ao calor intenso e ao perigo de desabamento em fases iniciais.
De momento, nove países já se mostraram interessados em utilizar esta tecnologia. A China, sede de criação em 2024, utiliza o drone em exercícios reais de combate a incêndios em cidades como Qingdao e Yunfu. Já o Japão está em fase de testes para avaliar a viabilidade em casos de emergência, situação semelhante em Espanha, Noruega, México, Estónia e Canadá.
Na Malásia já existem fornecedores e parcerias locais focadas na introdução do projeto de combate a incêndios no mercado do sudeste asiático. Tal como o Brasil, o modelo base (EH216-S) já realizou voos experimentais no país e a empresa Gohobby tem planos para introduzir a variante de combate a incêndios.
Portugal tenciona aderir à tecnologia?
Atualmente, não existe registo de utilização operacional ou testes oficiais do EHang 216F em Portugal. O País tem apostado na tecnologia de drone, mas para a vigia, como a Força Aérea Portuguesa e a GNR que operam frotas focadas na detecção precoce de fogos florestais.
Existem, ainda, projetos de investigação liderados por universidades portuguesas (como a de Coimbra), que testam drones capazes de lançar pequenas quantidades de água ou retardante, mas são protótipos de menor escala comparados com o EH216F.
Portugal tem frequentemente a maior percentagem de território ardido na União Europeia, sendo responsável por uma parte significativa da área ardida total da UE em anos de seca extrema. Anualmente, ardem em média a 900 a mil quilómetros quadrados (90 mil a 100 mil hectares) de área.