O preço dos bens alimentares essenciais deverá registar novos aumentos nos próximos dias, na sequência dos prejuízos provocados pelas tempestades que atingiram o país em janeiro e fevereiro, afetando a agricultura, a pecuária e a logística de abastecimento.
O cabaz alimentar monitorizado pela Deco Proteste tem vindo a encarecer de forma consecutiva desde o final de 2025. Esta semana, o conjunto de 63 produtos essenciais atingiu 253,43 euros, o valor mais elevado dos últimos quatro anos.
A tendência de subida se iniciou em meados de dezembro de 2025. Nos últimos quatro anos, o mesmo cabaz aumentou mais de 35%, representando um acréscimo de 65,73 euros face ao preço então praticado.
Até ao momento, o impacto direto do mau tempo reflete-se sobretudo na curgete, cujo preço subiu 29% entre 4 e 11 de fevereiro, fixando-se nos 3,69 euros. Ainda assim, o porta-voz da Deco Proteste, Nuno Pais de Figueiredo, acredita que os efeitos das intempéries “ainda estão para vir” e poderão sentir-se já nos próximos dias.
As dificuldades de acesso a explorações agrícolas, cortes de estradas e o aumento dos custos de transporte estão a criar constrangimentos no abastecimento. Muitos campos permanecem alagados e parte da produção foi perdida, obrigando os transportadores a percorrer maiores distâncias, com consequente aumento dos custos operacionais.
A destruição de estufas nas regiões Centro e Sul poderá ainda forçar a importação de produtos hortícolas, reduzindo a oferta nacional e pressionando os preços ao consumidor.