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  • “Uma pessoa honesta e educada”, Cavaco Silva sobre António José Seguro
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A distância entre a morada dos estudantes e os institutos universitários ou politécnicos que pretendem integrar está a “condicionar” o acesso ao ensino superior. O curso de Medicina é aquele que mais facilidade tem em mobilizar alunos perante grandes distâncias.

As conclusões são avançadas por um estudo da Fundação Belmiro de Azevedo. De acordo com a investigação do EDULOG, a cada 20 quilómetros de distância entre a residência dos estudantes e o estabelecimento de ensino em que querem ingressar, aumenta a dificuldade de acesso ao ensino superior.

“Em média, se aumentarmos 10% na distância, o que significa mais ou menos 20 quilómetros em média, isso reduz em 3,4% o fluxo de mobilidade dos estudantes”, explica o coordenador do estudo, Pedro Luís Silva, em declarações à Renascença. O investigador revela também que “as condições socioeconómicas, bem como a presença ou ausência de instituições de ensino superior revelam-se igualmente determinantes na decisão de ingressar no ensino superior”.

Pedro Luís Silva refere que a sensibilidade à distância difere mediante os diferentes pontos do país. “Em zonas do litoral, por exemplo, os alunos são muito mais sensíveis também devido à oferta de cursos no Ensino Superior que têm em seu redor face a zonas do interior, por exemplo, em que os alunos estão dispostos a percorrer mais quilómetros para ingressar no ensino superior também porque têm menos oferta na sua região de origem”, adianta à mesma fonte.

A área da Medicina é aquela em que “os alunos são menos sensíveis à distância comparado com as generalidades dos cursos”, estando dispostos a percorrer mais quilómetros face à especificidade da formação.

A origem académica dos estudantes também tem impacto na sua mobilidade. Isto é, se estes são oriundos do ensino secundário profissional ou se provêm do percurso científico-humanístico. Pedro Luís Silva detalha que “os diplomados dos cursos científicos preferem uma cidade de grande dimensão e dispersas em vários municípios, enquanto os diplomados com os profissionais revelam uma preferência pelo ensino politécnico e as instituições mais locais”.

Após as conclusões do estudo, os investigadores aconselham ao reforço da criação de bolsas específicas para deslocações, bem como “os apoios de transporte e alojamento para estudantes”.

“Não é por um aluno nascer em determinado município que a sua escolha de acesso ao ensino superior deverá estar condicionada”, termina Pedro Luís Silva.

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