Os Estados Unidos apreenderam esta quarta-feira um navio-tanque de petróleo que era escoltado por um submarino russo no Atlântico Norte, numa operação que intensifica a tensão entre Washington e Moscovo no âmbito da pressão norte-americana sobre o regime venezuelano.
O petroleiro, actualmente identificado como Marinera, estava a ser perseguido pelas autoridades norte-americanas desde que escapou a uma tentativa de abordagem ao largo da Venezuela. Durante o trajecto, o navio passou a navegar sob registo russo e recebeu escolta militar, incluindo pelo menos um submarino enviado por Moscovo.
Segundo a Casa Branca, o Marinera integra a chamada “frota-fantasma” da Venezuela, um conjunto de embarcações usadas para contornar sanções internacionais e transportar petróleo venezuelano de forma considerada ilegal. As autoridades dos EUA acusam o navio de operar sob bandeira falsa e de abastecer aliados do regime chavista, como a Rússia, a China e o Irão. Washington sustenta que a abordagem a navios com bandeira falsa não viola o direito internacional.
A apreensão ocorreu em águas internacionais, depois de o petroleiro ter sido recentemente detectado no Atlântico Norte, nas proximidades da Islândia, segundo dados de monitorização marítima. No momento da abordagem, não foi registado qualquer confronto.
Também esta quarta-feira, os Estados Unidos anunciaram a apreensão de um segundo petroleiro ligado à Venezuela, o quarto interceptado nas últimas semanas. O navio, baptizado Sophia, foi intercetado no mar do Caribe, reforçando a ofensiva norte-americana contra o transporte de crude venezuelano.
A perseguição ao Marinera insere-se numa campanha mais ampla de pressão contra Caracas. Em dezembro, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um “bloqueio total” aos petroleiros venezuelanos. Ao longo de 2025, duas embarcações já tinham sido apreendidas no âmbito dessa política.
A operação ganha contornos diplomáticos sensíveis devido ao envolvimento da Rússia. Nos últimos dias, o Kremlin apresentou um pedido formal à Casa Branca para que cessasse a perseguição ao petroleiro escoltado, alertando para o risco de escalada entre as duas potências. Mesmo quando não resulta numa apreensão imediata, este tipo de acção tem potencial para agravar significativamente as tensões entre Washington e Moscovo.