Os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram a retirada oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS), recusando igualmente o pagamento de contribuições pendentes superiores a 221 milhões de euros.
Segundo um responsável do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, os EUA chegaram a financiar até 25% do orçamento da OMS, sem nunca terem tido um diretor-geral norte-americano à frente da organização. O mesmo responsável acusou a agência de favorecer países com contribuições financeiras inferiores.
“Há inúmeros exemplos, tanto recentes como históricos, das deficiências da OMS, mas a conclusão é que pagámos, confiámos e fomos desiludidos. A organização não assumiu responsabilidades pelas suas falhas”, afirmou.
O mesmo responsável acrescentou ainda que os Estados Unidos continuarão a cooperar diretamente com países e ministérios da Saúde, sublinhando que essa colaboração respeitará a soberania nacional: “Continuaremos a desenvolver estas relações de forma mutuamente benéfica, como temos feito ao longo de décadas.”
A decisão norte-americana tem gerado preocupações quanto ao futuro da cooperação internacional na área da saúde, sobretudo no que diz respeito à resposta a eventuais pandemias.
Outro responsável da administração de Donald Trump defendeu que os termos da resolução de 1948, que rege a adesão à OMS, não obrigam ao pagamento de contribuições em dívida como condição para a saída da organização.
A administração norte-americana tem reiterado que não pretende liquidar os valores em falta relativos ao período de 2024-2025, estimados entre 260 e 280 milhões de dólares.
Washington criticou ainda o papel da OMS na gestão de crises sanitárias globais, apontando a incapacidade para implementar reformas estruturais e alegando falta de independência face à influência política de alguns Estados-membros, numa referência direta à China.