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A companhia aérea de baixo custo Ryanair reafirmou hoje que vai abandonar a operação nos Açores a partir de 29 de março devido às “elevadas taxas aeroportuárias” e à “inação” do Governo português.

Em resposta à agência Lusa, a transportadora irlandesa reiterou que vai cancelar as seis rotas que atualmente realiza no arquipélago açoriano, justificando com as “elevadas taxas aeroportuárias” da ANA Aeroportos e à “inação” do Governo, que “aumentou as taxas de navegação aérea em +120%” após a covid-19 e “introduziu uma taxa de viagem de dois euros, numa altura em que outros Estados da União Europeia (UE) estão a abolir taxas de viagem”.

A Ryanair já tinha anunciado o cancelamento de todos os voos para os Açores em novembro de 2025, uma posição que levou as autoridades açorianas a alertar que as negociações com a companhia ainda não estavam encerradas.

Em 20 de novembro de 2025, o presidente da Visit Azores, responsável pela promoção turística dos Açores, considerou o anúncio da saída da Ryanair como uma “forma de pressão negocial”, já que o processo não estava “completamente fechado”.

Já o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, também em 20 de novembro, recordou que aquela posição da Ryanair era “reincidente”, porque “já há alguns anos também foi a mesma prática” quando decorriam negociações.

Hoje, a Ryanair reiterou a posição manifestada em novembro do ano passado, ao garantir o cancelamento de todos os voos de e para os Açores a partir de 29 de março de 2026.

Em novembro de 2025, após o anúncio, o Governo manifestou “surpresa” com os argumentos da Ryanair sobre fim da operação nos Açores, lembrando que a taxa desta rota é a mais baixa da Europa e que a companhia recebeu dezenas de milhões de euros em incentivos.

A ANA – Aeroportos de Portugal também considerou o anúncio da Ryanair como uma “surpresa”, revelando que “as recentes conversas” estavam “orientadas no sentido de aumentar, e não reduzir”, a oferta.

Naquela altura, o grupo, detido pela francesa Vinci, disse que “as taxas aeroportuárias em vigor nos Açores, as mais baixas da rede”, ficaram inalteradas em 2025, “não tendo a ANA proposto qualquer aumento para 2026”.

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) considerou em 20 de novembro de 2024 que o fim da operação da Ryanair para os Açores representará um “choque sem precedentes” na economia açoriana, podendo ameaçar a atividade de “centenas de empresas”.

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