O candidato presidencial Gouveia e Melo considerou, este domingo, dia 11, que os Estados Unidos estão numa “deriva perigosa”, relativamente à anunciada intenção de ocuparem a Gronelândia.
“Os Estados Unidos, parece-me, estão numa deriva perigosa. Estão numa deriva perigosa, porquê? Porque o poder dos Estados Unidos assenta em três coisas: no poder militar, no poder da moeda, porque é a moeda de referência internacional, e no poder das estruturas internacionais”, afirmou o almirante, numa feira em Boticas, no distrito de Vila Real.
E Gouveia e Melo prosseguiu, rodeado de apoiantes e de jornalistas: “Esta administração não vai ter poder militar se não tiver a Europa junta, nem o Japão, nem os outros países aliados. Não tem poder militar para ser uma superpotência sozinha. Depois, em termos das estruturas internacionais, está a destruir as estruturas que ela própria construiu após a Segunda Guerra Mundial. E, portanto, é haraquiri [ritual de suicídio praticado pelos japoneses].”
Por fim, o candidato às presidenciais, marcadas para 18 de janeiro, realçou, sendo o poder económico a capacidade de um país ter a sua moeda como uma referência internacional, “se a Europa, a China e os outros grandes países do mundo começarem a mudar do dólar como referência, os Estados Unidos caem no dia seguinte”.
O ex-chefe do Estado-Maior da Armada defendeu, ainda, que Portugal “deve ter uma posição de repúdio e de crítica direta e verdadeira, mesmo que seja um aliado”: “Porquê? Porque nós não podemos, entre aliados, começar a criar divisões.”
Para o almirante, os Estados Unidos “também estão limitados no seu poder” e têm de entender que o poder não é absoluto e “só existe quando há grandes coligações de vontades e que os interesses são partilhados”.
“Se os Estados Unidos fizerem o erro de forçarem uma situação na Gronelândia, eu tenho a certeza absoluta de que se vão arrepender. E será péssimo para os Estados Unidos […]. Nós, como aliados, quando um amigo nosso vai cometer um erro, nós devemos dizer a esse amigo que o senhor está a cometer um erro”, concluiu.
Donald Trump tem preocupado os aliados, recorde-se, ao recusar-se a descartar o uso da força militar para tomar à Dinamarca este território autónomo, membro da NATO. O presidente dos EUA considera que o controlo desta ilha rica em recursos é crucial para a segurança nacional do seu país, dada a crescente ameaça representada pela Rússia e pela China no Ártico.