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A Greenpeace revelou, numa nova investigação, publicada em comunicado esta quinta-feira, dia 20, que a roupa vendida pela Shein contém substâncias químicas perigosas em níveis superiores aos permitidos pela União Europeia. A análise envolveu 56 peças de vestuário e calçado, incluindo roupa infantil, e mostrou que 18 delas excedem os limites legais definidos pelo regulamento europeu.

Entre as peças que podem ser compradas em Portugal, a organização encontrou um caso extremo: uma peça que ultrapassava em mais de 55 vezes o limite permitido de ftalatos, substâncias consideradas perturbadoras endócrinas e associadas a alterações hormonais, problemas de fertilidade e doenças crónicas.

A Greenpeace alerta que estes químicos representam riscos, tanto para os trabalhadores que produzem a roupa, como para os consumidores que a usam. O contacto com a pele, o suor, a inalação de partículas e, no caso das crianças pequenas, o hábito de levar tecidos à boca, podem expor diretamente as pessoas a estas substâncias. Quando a roupa é lavada ou descartada, os químicos acabam nos rios, no solo e na cadeia alimentar.

A organização critica o facto de a Shein não ter cumprido os compromissos assumidos após denúncias anteriores. A coordenadora de campanhas da Greenpeace Portugal, Ana Farias Fonseca, afirma que “as roupas desta ultra fast fashion parecem baratas, mas o verdadeiro preço paga-se com o planeta e com a nossa saúde”. Defende ainda que o caminho passa por “comprar menos, escolher melhor, reparar e reutilizar”.

Os resultados incluem ainda outro dado preocupante: sete casacos analisados apresentavam níveis de PFAS até 3.300 vezes acima dos limites, substâncias persistentes e altamente poluentes. No total, 14 peças excediam valores legais de ftalatos, seis delas mais de 100 vezes.

Segundo a Greenpeace, a Shein continua a aproveitar falhas legais, nomeadamente ao enviar os produtos diretamente para o comprador, o que evita controlos aduaneiros que poderiam travar a entrada destas peças no mercado europeu.

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