A partir da próxima segunda-feira, os motoristas de TVDE em Portugal iniciam uma forma de protesto inédita que promete condicionar a mobilidade urbana. Sob o lema da denúncia da “falta de regulação” e da “quebra drástica de rendimentos”, os profissionais decidiram desligar alternadamente as aplicações da durante as horas de ponta da manhã, especificamente entre as 7:00 e as 10:00, sendo que a Uber desliga na segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira e a Bolt na terça-feira, quinta-feira e sábado.
Esta ação, de âmbito nacional, terá o seu maior impacto nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, onde a dependência destas plataformas é mais acentuada. Ao contrário de uma greve total, os motoristas optaram por um sistema de “apagão” rotativo: enquanto uns desligam a Uber, outros desligam a Bolt, reduzindo drasticamente a oferta de veículos disponíveis.
“Os motoristas vão poder continuar a trabalhar, simplesmente vão desligar uma das plataformas”, disse Fernando Vilhais, coordenador geral do Movimento Cívico Somos TVDE, à agência Lusa.
O objetivo é criar um “gargalo” no serviço que resulte num aumento exponencial do tempo de espera e das tarifas dinâmicas, alertando os passageiros e as plataformas para a insustentabilidade do setor.
Os motoristas exigem uma revisão da lei que regula a atividade, criticando as baixas margens de lucro e a falta de limites ao número de licenças. “As plataformas, neste momento, têm a capacidade de reduzir preços de forma sistemática para ganhar quota de mercado, e o que já está provado é que isso tudo é feito basicamente somente com o esforço do trabalho dos motoristas. Enquanto este modelo estiver em vigor, os rendimentos vão ser sempre, sempre, sempre reduzidos”.
Fernando Vilhais explica também que as plataformas de TVDE têm uma garantia de 25 por cento do valor das viagens, independentemente do preço que esteja a ser praticado no mercado. Os operadores investem nas viaturas e contratam os motoristas, mas, no final, são as plataformas que atuam “como se fossem responsáveis ou tivessem a capacidade de ser uma entidade patronal de todo o setor”, lamenta. “E isso não é permitido por lei.”
Com este protesto, o setor procura forçar o Governo e as multinacionais a negociar melhores condições de trabalho e uma fiscalização mais apertada em 2026.
De recordar que o Movimento Cívico Somos TVDE esteve no dia 18 de dezembro presente na Assembleia da República, onde foram ouvidos na Comissão Parlamentar de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação. Apresentaram as suas propostas para a melhoria do setor TVDE, defendendo uma regulação mais justa e digna para os motoristas.