Com os combustíveis prestes a disparar mais de 10 cêntimos, o tema saltou para o centro do debate parlamentar esta quarta-feira. Enquanto o Governo tenta travar a subida através de um desconto excecional no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), o 24Horas saiu à rua para saber como os portugueses planeiam reorganizar o orçamento familiar face à instabilidade no Médio Oriente.
“Caso se verifique uma subida superior a 10 cêntimos na gasolina 95 e no gasóleo face aos valores desta semana, o Governo introduzirá um desconto extraordinário e temporário no ISP”, anunciou o primeiro-ministro, Luís Montenegro. Segundo o governante, a medida visa “compensar o adicional de receita do IVA, devolvendo-o integralmente aos portugueses” perante o impacto do conflito no Médio Oriente na economia nacional.
Apesar da escalada de preços, o Executivo rejeita, por agora, medidas adicionais. Questionado pelo secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, sobre uma possível descida do IVA em bens essenciais ou intervenção no crédito à habitação, Montenegro foi taxativo: “Teremos de aguardar o desenrolar dos acontecimentos para tomar as decisões mais adequadas. Antecipámos a que tem impacto mais imediato [o ISP]. Se a cada movimento houver um leilão de reivindicações, não terão o Governo ao seu lado.”
A pressão nos mercados internacionais é evidente. António Comprido, secretário-geral da EPCOL, alerta que a subida “expressiva” das cotações do crude, gasolina e gasóleo terá reflexos inevitáveis nos postos de venda. No terreno, o cenário é de preocupação: Mafalda Trigo, vice-presidente da ANAREC, admite que o gasóleo poderá encarecer mais de 10 cêntimos já a partir da próxima segunda-feira, dia 9.
Nas ruas, o sentimento dominante entre os portugueses é de cautela e preocupação. Mais do que o impacto imediato no abastecimento, teme-se que este aumento, impulsionado pelo conflito, se torne estrutural e que os preços não voltem a recuar mesmo após a estabilização geopolítica. Embora exijam uma intervenção firme do Executivo para travar a escalada do custo de vida, muitos confessam um acentuado ceticismo, não acreditando que as medidas anunciadas sejam suficientes ou que o Governo tenha real vontade de enfrentar os interesses do mercado.