A Hungria viveu este domingo, dia 12, uma mudança política histórica: Viktor Orbán, de 62 anos, foi derrotado nas legislativas e vê terminar 16 anos no poder, depois de o partido da oposição Tisza, liderado por Péter Magyar (45), se impor nas urnas e ficar em posição de formar governo. Segundo a Reuters, o aliado de Vladimir Putin reconheceu a derrota já no início desta noite, num desfecho que representa um dos maiores abalos políticos recentes na Europa Central.
Os resultados preliminares indicavam uma vitória clara do Tisza, com projeções a apontarem para uma maioria de dois terços no parlamento húngaro, composto por 199 deputados. A RTP, com base em dados divulgados durante a contagem, noticiou que, com 53,45% dos votos apurados, o partido de Péter Magyar soma 136 lugares, contra 56 do Fidesz, de Orbán. A Associated Press avançou, por sua vez, que o Tisza ultrapassa os 53% dos votos, enquanto o Fidesz fica perto dos 38%, num ato eleitoral marcado por uma participação recorde.
A derrota de Orbán encerra um ciclo iniciado em 2010, durante o qual o primeiro-ministro consolidou um modelo de poder nacional-conservador e entrou em rota de colisão com Bruxelas, em matérias como o Estado de direito, a independência judicial e a liberdade de imprensa. Péter Magyar, antigo aliado do sistema e hoje principal rosto da oposição, centrou a campanha no combate à corrupção, na recuperação dos serviços públicos e na reaproximação à União Europeia. “Juntos, libertámos a Hungria e livrámo-nos do regime de Orbán”, disse, após a vitória.
A eleição é vista como um ponto de viragem para a política húngara e para o equilíbrio europeu. Além de afastar um dos principais símbolos da direita iliberal no continente, abre a porta a uma redefinição da relação de Budapeste com a União Europeia e com a NATO.