O relatório Digital Education Outlook 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), divulgado esta semana, defende uma utilização prudente da IA generativa como apoio à aprendizagem, alertando para riscos associados à perda de esforço cognitivo e à fragilização das competências de pensamento crítico.
As conclusões reconhecem que a IA pode melhorar o desempenho imediato dos alunos, mas sublinha que esses ganhos nem sempre se traduzem em aprendizagem duradoura. Um estudo realizado na Turquia mostrou melhorias significativas em matemática com o uso do GPT-4, mas revelou uma queda de 17% no desempenho quando o acesso à ferramenta foi retirado.
Resultados semelhantes surgem em universidades norte-americanas: estudantes que recorreram à IA para escrever ensaios obtiveram melhores classificações, mas apenas 12% conseguiram recordar o conteúdo produzido uma hora depois, contra 89% dos colegas que não utilizaram a tecnologia.
A OCDE alerta, no entanto, para o fenómeno da ‘preguiça metacognitiva’, caracterizado pela preferência por respostas rápidas em detrimento do raciocínio aprofundado.
Entre os professores, a IA é cada vez mais usada para tarefas administrativas e de planeamento. Segundo a OCDE, 37% dos docentes já recorrem a ferramentas generativas, com estudos a apontarem reduções significativas no tempo gasto na preparação de aulas.
A OCDE conclui que a IA deve ser encarada como uma ferramenta de “potenciação” e não de substituição do professor, defendendo um modelo de cooperação entre humanos e tecnologia. Ainda assim, deixa um aviso: a motivação, as relações e a aprendizagem socioemocional continuam a ser dimensões que a IA não consegue reproduzir com credibilidade.