Mais de75 mil hectares do Parque Nacional da Peneda-Gerês foram consumidos pelo incêndio que começou no dia 26 de julho. O combate às chamas mobilizou centenas de operacionais, entre bombeiros e GNR, num esforço que, apesar da dimensão dos prejuízos, evitou consequências ainda mais graves para as populações locais.
Esta é uma das maiores tragédias ambientais da mais recente história de um dos maiores símbolos da biodiversidade portuguesa.
Este episódio insere-se num contexto de crescente vulnerabilidade dos territórios florestais portugueses, agravada pelas alterações climáticas, que potenciam fenómenos extremos como secas prolongadas e ondas de calor. Segundo especialistas, a intensidade e frequência dos incêndios têm vindo a aumentar, colocando em causa a resiliência dos ecossistemas e a sustentabilidade das comunidades rurais.
As autoridades já anunciaram um plano de recuperação, no valor de cinco milhões de euros, destinado sobretudo à restauração das pastagens afetadas, essenciais para a economia local e para a manutenção da paisagem tradicional.
Contudo, os ambientalistas alertam que a resposta não pode limitar-se à reconstrução. “É fundamental investir na prevenção, na gestão ativa da floresta e na adaptação às novas realidades climáticas”, garante a investigadora em ecologia florestal Ana Mendes.