O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) comunicou aos seus trabalhadores a intenção de transferir todos os serviços, atualmente sediados em Lisboa, para Oeiras, numa reestruturação que visa melhorar as condições de funcionamento e reforçar a ligação ao serviço de emergência 112.
Segundo a comunicação interna, a que a agência Lusa teve acesso esta sexta-feira, dia 13, o presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, considera que as instalações na capital, que acolhem a sede do instituto e um dos seus Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), já não garantem “o espaço, a qualidade e as condições necessárias” para um desempenho elevado das funções do organismo.
O plano inclui uma mudança para um edifício em Oeiras, junto ao Centro Operacional do Sul (COSUL), uma das centrais do 112 operada pela PSP, com o objetivo de concentrar numa só localização a direção, os serviços de suporte e de apoio à decisão e a direção de serviços operacionais.
A transferência, ainda pendente de parecer da ESTAMO, sociedade pública responsável pela gestão integrada do património imobiliário do Estado, faz parte de um processo de reestruturação mais amplo que, segundo o presidente do INEM, incluirá também um reforço de pessoal.
Na comunicação aos trabalhadores, Luís Mendes Cabral referiu ainda propostas do Conselho Nacional de Planeamento Civil e Emergência que defendem a promoção da autonomia dos CODU e a sua integração física junto das centrais de emergência 112.
A Comissão de Trabalhadores (CT) do INEM já reagiu, sublinhando que não emitirá um parecer favorável sem o acesso prévio a documentação completa sobre o plano, incluindo a deliberação do conselho diretivo, a calendarização, o enquadramento jurídico e o impacto financeiro e nos profissionais. Os representantes dos trabalhadores consideram inaceitável avançar com uma operação desta natureza “sem base factual, técnica e económico-financeira suficiente”.
A CT anunciou ainda que irá realizar uma Assembleia Geral de Trabalhadores no dia 5 de março para discutir a proposta e exigiu transparência na avaliação dos impactos da potencial transferência.