O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, recusou-se a revelar ao 24Horas se informou, ou não, previa ou posteriormente, o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros, sobre o encontro que manteve em Cascais no passado dia 11 de outubro, com Devin Nunes, um dos mais influentes ‘braços-direitos’ de Donald Trump, e que preside desde há um ano ao Conselho Consultivo dos Serviços Secretos da Casa Branca.
Um encontro, que se deu curiosamente algumas horas antes do mesmo Devin Nunes se ter encontrado na região de Aveiro com o controverso empresário Ricardo Leitão Machado, cunhado de Leitão Amaro, que se encontra a contas com a justiça angolana, que o acusa de vários crimes, nomeadamente de burla, o que já motivou mesmo o envio, por parte das autoridades angolanas, de duas cartas rogatórias à Procuradoria-Geral da República portuguesa.
Instado a esclarecer se tinha, previa ou posteriormente, informado o primeiro-ministro Luís Montenegro, ou Paulo Rangel, o seu colega de governo que chefia a nossa diplomacia, sobre a realização desse encontro, o ministro da Presidência preferiu apenas referir ao 24Horas que o seu conhecimento pessoal de Devin Nunes data de 2011, quando o então congressista norte-americano se encontrou em Washington com um grupo de deputados portugueses, do qual fazia parte Leitão Amaro. E acrescentou o ministro, através do seu gabinete, quando questionado sobre os motivos que o levaram a encontrar-se com um dos mais importantes ‘homens de mão’ de Trump: “Tratando-se de um dos mais destacados luso-descendentes nos EUA, voltaram a ter contactos posteriores nos quais foram abordados apenas temas relativos à comunidade luso-descendente nos EUA e perspetivas sobre o fortalecimento da relação transatlântica de Portugal”.
“Não tive qualquer envolvimento com os litígios de Ricardo Machado”
Ainda sobre os motivos que o levaram a encontrar-se com Devin Nunes, e se os mesmos se poderiam ter prendido com a situação que atravessa o seu cunhado, Leitão Amaro preferiu apenas sublinhar que “jamais discutiu (com Devin Nunes) qualquer interesse ou atividade económica em concreto, muito menos qualquer tema ou questão relacionada com as pessoas individuais”, nomeadamente com Ricardo Leitão Machado.
Ainda relativamente ao seu cunhado, Leitão Amaro, através do seu gabinete de ministro da Presidência, fez questão de reiterar que que “não tem, nem alguma vez em funções teve, qualquer envolvimento em matérias relativas a negócios, interesses ou litígios do Senhor Ricardo Machado com o Estado Português ou estados estrangeiros”.
Recorde-se que o 24Horas noticiou na semana passada que, no encontro que manteve com Devin Nunes, o cunhado de Leitão Amaro tentou entregar ao conselheiro de Donald Trump dossiês alegadamente comprometedores para dois ministros angolanos – Edeltrudes da Costa, considerado ‘a sombra’ do presidente João Lourenço, e Baptista Borges, o homem que comanda a pasta da Energia no governo daquele país.