O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, recusou-se hoje, quarta-feira, a responder ao 24Horas se vai ou não pedir escusa nas decisões do Governo sobre a VASP, a única distribuidora de jornais e revistas que o cunhado, Ricardo Leitão Machado, tentou comprar a Marco Galinha. O caso está a levantar sérias suspeitas de um conflito de interesses no Governo – tal como o 24Horas revelou em exclusivo no último sábado.
No final de uma audição na Comissão Parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, interrogado pelos nossos repórteres sobre se iria pedir escusa, no final, Leitão Amaro disse mal-humorado: “Não respondo”!
Não é a primeira vez que o ministro se vê confrontado com um conflito de interesses. Em junho do ano passado, depois de se saber que a Gesticopter Operations, empresa com ligações familiares a Leitão Amaro, tinha vencido um concurso de 11,9 milhões para aquisição de helicópteros para os fogos florestais, Leitão Amaro pediu escusa – “por máxima cautela e garantia de imparcialidade” – de intervir no assunto. Agora, ministro da pasta que tutela a Comunicação Social, nega-se a responder se vai ficar de fora de qualquer decisão sobre a VASP, empresa que o seu cunhado Ricardo Leitão Machado tentou comprar.
O Governo está a tentar encontrar uma solução para que a distribuição de jornais não deixe de se fazer no interior do País. A VASP, que tem o monopólio do negócio, admite cortar rotas.
A empresa alega que não é financeiramente viável distribuir jornais em oito distritos – e, segundo adiantou o ministro, esta quarta-feira, na comissão parlamentar – reclama do Governo uma compensação de cerca de 3 milhões de euros por ano. “O Governo não pode aceitar que uma empresa nos diga: ou nos dão mais dinheiro ou cesso a distribuição”, disse Leitão Amaro em resposta a deputados.
Proibição de contatos
O Governo, de acordo com o ministro, quer garantir que os jornais e revistas cheguem diariamente a todo a País. Tem um plano: “Apoiar pontos de venda nos territórios de baixa densidade em parceria com os municípios desses territórios de baixa densidade e alguma partilha de responsabilidades também com os privados” por meio de dois concursos públicos, um no Norte e outro no Sul.
Os concursos, segundo informou Leitão Amaro, já estão a ser preparados – razão por que proibiu qualquer contacto entre o Governo e a VASP. “Os concursos públicos não podem ser feitos a quatro mãos. Não faz sentido cozinhá-los a meias com quem está interessado em concorrer” (ver vídeo). De maneira que nem uma palavra sobre o assunto com Marco Galinha.