Frederico Pinheiro é uma força da natureza. Por onde tem passado há sarilho. João Galamba que o diga. Herdou-o de Pedro Nuno Santos, em janeiro de 2023, e aguentou-o durante escassos meses – até que, em abril, andava o Governo de então em palpos de aranha com uma comissão parlamentar de inquérito à TAP, o ministro acusou o adjunto de andar a esconder informação sobre reuniões secretas entre a CEO da companhia aérea, Christine Ourmières-Widener, e deputados socialistas.
João Galamba exonerou-o pelo telefone. Frederico não gostou. Correu para o Ministério e dirigiu-se, como um furacão, ao gabinete de trabalho. Três funcionárias ainda o tentaram travar. O ex-adjunto apossou-se do computador recheado de informação reservada – e abalou para casa. No outro dia, uma equipa do Serviço de Informações de Segurança (SIS), bateu-lhe à porta para recuperar o portátil.
Demitido do Governo, Frederico regressou à RTP. Foi colocado na equipa de informação da RDP África. No último dia 6, foi o editor de uma notícia que incendiou a vida política de São Tomé e Príncipe: dava conta de um animado sururu entre deputados em plena câmara da Assembleia Nacional – tão barulhento que o presidente terá chamado a “segurança” para expulsar da sessão a líder parlamentar da oposição, Beatriz Azevedo.
A ordem de expulsão não foi dirigida à deputada Beatriz, mas a outros parlamentares.
O caso suscitou sério reparo, no dia seguinte, por parte do presidente do parlamento são-tomense: “Em momento algum a mesa pediu para retirarem à força a deputada Beatriz da sala. E foi difundido na RTP África. Os correspondentes que se retratem”.
Frederico Pinheiro, membro do Conselho de Redação da RDP, não se retratou – que se saiba. Mas o caso terá custado o lugar de delegado da RTP em São Tomé ao jornalista Paulo Martins – facto que o 24 Horas, apesar dos esforços, não conseguiu confirmar.
O jornalista Paulo Martins foi nomeado para São Tomé em 2022. Durante vários anos, ocupou a editoria de desporto e, depois, esteve ligado à RTP África. O concurso para chefe da delegação foi polémico. As excelentes condições oferecidas suscitaram o interesse de 11 jornalistas, mas Carlos Daniel, então diretor-adjunto que coordenava todas as delegações em África, foi acusado de pré-selecionar dois favoritos: Paulo Martins e Eduardo Pestana.