O livro ‘Los novios de Felipe VI’, do jornalista Joaquín Abad, está a provocar uma forte polémica em Espanha ao revelar um suposto ‘lado negro’ na vida de Felipe VI. A obra, que está à venda nas livrarias espanholas, sugere a existência, ao longo dos anos, de uma ‘vida dupla’ do monarca espanhol, adiantando mesmo nomes e situações envolvendo supostas ligações entre Felipe e alguns homens, em aparente contradição com a imagem institucional do monarca.
Assente numa investigação prolongada, a obra reúne um conjunto de alegações detalhadas sobre relações pessoais atribuídas ao rei, algumas desde a juventude, que o autor apresenta como parte de uma realidade cuidadosamente protegida. Entre os nomes referidos surgem o empresário do setor aeronautico Álvaro Fuster, Pepe Barroso, o dono da Don Algodon, ou Borja Vásquez, o fundador da marca de roupa Scalpers, são apontados como figuras centrais e duradouras no círculo íntimo do monarca – isto além de outros alegados relacionamentos ao longo dos anos, como Tomas Paramo, um conhecido influencer digital espanhol, os brasileiros Lucas Almeida e Gabriel Nascimento, o argentino Martín Araújo, o italiano Lucca Della Rovere, ou o alemão Thomas Schneider, entre outros.
O estilista Lorenzo Caprile é também mencionado como próximo do então príncipe, num conjunto de relações descritas como discretas, mas recorrentes. Mas entre os nomes mais mediáticos, Abad aponta ainda os cantores Alejandro Sanz e Miguel Bosé como parte desse universo relacional, reforçando a dimensão pública das alegações, ainda que sem confirmação independente.





O livro sustenta que esta alegada vida paralela terá sido condicionada por um percurso pessoal marcado pela pressão institucional e por um contexto familiar exigente, onde a ausência do pai, Juan Carlos I, e a educação sob forte disciplina terão contribuído para uma personalidade reservada e para uma gestão rigorosa da exposição pública.
Paralelamente, a obra revisita os relacionamentos atribuídos ao período anterior ao casamento com Letizia Ortiz, incluindo Isabel Sartorius, Eva Sannum, Bárbara Cano, María Zurita, Kendall Matthews, Gigi Howard, Stephanie Ducharme e Inés Sastre, apresentados como parte de um esforço da Casa Real para enquadrar a vida pessoal do então herdeiro dentro de padrões aceitáveis para a instituição.



Segundo o autor, o casamento com Letizia, em 2004, terá representado um ponto de viragem estratégico, permitindo consolidar a imagem pública do futuro rei num momento sensível para a monarquia. Ainda assim, Abad sugere que a alegada dualidade entre dever e vida privada não terá desaparecido, mas antes sido gerida de forma mais controlada.
Apesar da ausência de provas documentais que sustentem de forma inequívoca as acusações, o livro levanta questões incómodas sobre o papel da imprensa e o eventual silêncio em torno de matérias consideradas sensíveis para a estabilidade da instituição monárquica.
Num contexto de crescente exigência de transparência, ‘Los novios de Felipe VI’ não só expõe alegações sobre a vida privada do chefe de Estado espanhol, como está a causar uma forte controvérsia em Espanha, voltando a colocar a monarquia sob pressão, e reabrindo o debate sobre até que ponto a proteção da instituição pode justificar a opacidade em torno das figuras que a representam.