Uma das obras do artista Bordalo II, a escultura titulada Lontra, localizada em Alcoutim, no Algarve, encontra-se submersa na água devido ao aumento do caudal do rio Guadiana que tem afetado a região nas últimas semanas.
O autor da peça divulgou as fotos e numa publicação nas redes sociais descreveu: “criada em 2020 e morta em 2026 sob a força da água”, tornando-se assim a peça num símbolo visual do impacto das cheias e dos episódios meteorológicos extremos que têm assolado Portugal.
A vila de Alcoutim tem enfrentado um cenário crítico em que o rio Guadiana subiu de forma abrupta após descargas efetuadas em várias barragens para libertar a água acumulada pela chuva persistente, de acordo com alertas lançados pelas autoridades locais. O nível das águas chegou a cerca de seis metros, mantendo várias zonas ribeirinhas inundadas e estabelecimentos junto ao rio, como quiosques e restaurantes, submersos sem, até ao momento, registo de vítimas pessoais.
O Município de Alcoutim declarou oficialmente Situação de Alerta Municipal, devido ao aumento sustentado dos caudais provocado pelas descargas nas barragens de Alqueva, Pedrógão e Chança, bem como pela precipitação contínua na bacia hidrográfica, alertando para riscos significativos para pessoas, bens e infraestruturas em áreas ribeirinhas historicamente propensas a cheias.
A submersão da obra Lontra – um dos trabalhos mais emblemáticos do percurso de Bordalo II – realça não apenas os efeitos imediatos das cheias, mas também o impacto profundo que as alterações climáticas e os fenómenos extremos têm sobre o território e o património cultural.


