Recentemente indigitado como ministro da Administração Interna, Luís Neves, de 60 anos, reagiu esta quinta-feira, dia 25, às críticas de Pedro Passos Coelho (61), que considerou a sua escolha para a sucessão de Maria Lúcia Amaral como um “precedente grave”.
Questionado pela imprensa, o ex-diretor da Polícia Judiciária confessou o seu respeito pelo antigo primeiro-ministro do Governo PSD/CDS-PP e garantiu estar “completamente blindado” a qualquer conflito de interesses.
“Vejo essa posição, e todas as outras posições – algumas delas conheço – com a maior tranquilidade, mas também com o maior respeito. Nem todos temos de pensar da mesma forma”, começou por referir Luís Neves à margem de um evento, no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (ISCPSI).
O novo membro do Executivo de Luís Montenegro explica que, quando convidado pelo primeiro-ministro a assumir funções governativas, pôs em questão todas essas possibilidades, mas após reflexão, garante, o tempo em que esteve na PJ não compromete de maneira nenhuma as novas funções nos gabinetes de São Bento.
“Quando fui convidado pelo senhor primeiro-ministro para assumir estas funções, pensei, de facto, em algumas destas questões, e pus no prato da balança. Mas quero dizer-vos o seguinte: o diretor nacional da PJ não investiga, aporta meios. A instituição Polícia Judiciária tem uma forma orgânica de guardar segredo. Por isso, senti-me completamente tranquilo e à vontade para dar este passo”, acrescentou.
O agora governante frisou ainda que não há margem a promiscuidades entre o anterior cargo e o atual: “Nunca na minha vida coloquei qualquer questão fosse a quem fosse. Estou a falar para vós como para as pessoas com quem trabalhei, são milhares de investigadores. Nunca houve qualquer interferência, nunca houve qualquer pergunta, nunca houve qualquer pesquisa. A esse respeito, estou absolutamente blindado.”
Ao concluir o seu discurso, Luís Neves assegurou ter “grande respeito” por Pedro Passos Coelho, e que a decisão de aceitar integrar o Governo foi um passo acertado. “Se sentisse que haveria o mínimo de conflito de interesses relativamente a esta questão, eu próprio não teria aceitado.”