Novos detalhes surgem sobre a tragédia ferroviária ocorrido domingo em Adamuz (Espanha), que resultou em, pelo menos, 41 mortos e dezenas de feridos. A investigação continua em curso e os áudios da caixa negra do comboio revelaram as comunicações entre o maquinista, que é também uma das vítimas mortais do acidente, e o centro de comando da Adif, em Atocha, mostrando os primeiros momentos do desastre.
O malogrado maquinista descreveu inicialmente um impacto que chamou de “enganchón”, perto de Adamuz, e relatou que o comboio ficou bloqueado. Numa primeira chamada, ele comunica o problema e recebe instruções do centro de comando:
Primeira chamada (traduzida):
— Centro de comando de Adif: “6189, aqui Atocha, diga.”
— Maquinista: “Olá, Atocha. Olha, acabei de sofrer um ‘enganchón’, perto de Adamuz.”
— Centro de comando: “Ok, já te vejo… Dá-me um telefone, vá.”
— Maquinista: “Anotem, por favor…”
— Centro de comando: “Dizem-me para baixar os pantógrafos.”
— Maquinista: “Mais para baixo não dá.”
— Centro de comando: “Ou seja, já os baixaste.”
— Maquinista: “Sim, estão todos baixíssimos… Na verdade, tenho o comboio bloqueado, neste momento.”
— Centro de comando: “Ou seja, não te podes mexer.”
— Maquinista: “Não… vou precisar de inspecionar.”
— Centro de comando: “Vais precisar de inspecionar, sim.”
— Maquinista: “Sim.”
— Centro de comando: “Um segundinho, maquinista: não desligues. Ou já te ligo.”
— Maquinista: “Sim, não se preocupe.”
Numa segunda chamada, o condutor confirma a gravidade do acidente, incluindo o descarrilamento e a presença de feridos e incêndio:
Segunda chamada (traduzida):
— Centro de comando de Adif: “6189, aqui Atocha.”
— Maquinista: “Olá, Atocha, 6189. Comunico que houve um descarrilamento e estou a invadir a via contígua.”
— Centro de comando: “Ok, recebido, obrigado por avisar.”
— Maquinista: “Preciso que parem o tráfego nas vias urgentemente, por favor.”
— Centro de comando: “Não há nenhum comboio a chegar.”
— Maquinista: “E também há incêndio… preciso de sair da cabine para verificar. Tenho uma carruagem em chamas.”
— Centro de comando: “Tenho o teu telefone. Vou comunicar.”
— Maquinista: “E preciso que enviem serviços de emergência: bombeiros e ambulâncias, há feridos no comboio.”
— Centro de comando: “Recebido.”
— Maquinista: “Têm o meu telefone, certo? Vou sair da cabine, informo. Está bem?”
Estes registos evidenciam a rapidez com que a situação evoluiu e a forma como o maquinista tentou manter contacto com o centro de comando para minimizar os riscos. As autoridades continuam a investigar as possíveis causas do acidente, incluindo falhas na via ou na manutenção, enquanto os serviços de emergência trabalham no socorro às vítimas.