A Figueira da Foz tornou-se hoje, novamente, o epicentro do poder destrutivo do mau tempo, ao registar uma rajada extrema de 124 km/h. Este valor, captado em plena tarde de sábado, marca o auge da depressão Marta, a terceira tempestade a fustigar o país num intervalo de poucos dias, após a passagem devastadora da Kristin e do Leonardo.
Com o país sob aviso vermelho e laranja, o foco das autoridades está agora na violência das rajadas e na chuva intensa, que ameaçam infraestruturas já fragilizadas. A sucessão de sistemas frontais colocou a resistência da população no limite: o cansaço psicológico é visível em cidadãos que, há mais de uma semana, vivem em estado de alerta. Com os solos saturados pela chuva, a iminência de cheias e a força do vento, na Figueira da Foz e noutras zonas do país, aumenta drasticamente o risco de acontecimentos dramáticos.
O balanço de 14 vítimas mortais — a última o falecimento em serviço do bombeiro José Válter Canastreiro — lança um manto de luto sobre o esforço de proteção civil. O cenário é de alerta máximo: as autoridades reiteram que ninguém deve circular na via pública, pois o perigo é real e imediato. O país não respira, aguardando que a “Marta” finalmente dê tréguas a uma nação exausta.