Os mercados financeiros globais negoceiam em alta esta quarta-feira, impulsionados por sinais de descompressão no conflito entre Estados Unidos e Irão. O presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu que a campanha militar poderá terminar “em duas a três semanas”, alimentando o otimismo dos investidores e reduzindo, para já, o prémio de risco geopolítico.
Na Ásia, as bolsas reagiram de forma expressiva ao alívio das tensões, com o índice sul-coreano Kospi a disparar mais de 8% e o Nikkei japonês a subir acima de 5%. Na Europa, o sentimento positivo também se impõe, com o Stoxx 600 a avançar cerca de 2%, enquanto os futuros de Wall Street apontam para nova sessão de ganhos, depois de subidas superiores a 2% na véspera.
Apesar do recuo marginal, o petróleo mantém-se em níveis elevados, refletindo a incerteza persistente no Médio Oriente. O Brent negoceia acima dos 103 dólares por barril e o WTI em torno dos 100 dólares, após um mês de março marcado por forte valorização. Já o ouro sobe, reforçando a procura por ativos de refúgio, ao mesmo tempo que o dólar perde terreno.
No plano macroeconómico, os indicadores europeus revelam um cenário de estagnação industrial, com o PMI da zona euro praticamente inalterado em março, enquanto a taxa de desemprego regista uma ligeira subida. Nos Estados Unidos, os investidores aguardam novos dados sobre o mercado de trabalho e atividade industrial, bem como intervenções de responsáveis da Reserva Federal.
O contexto permanece, contudo, volátil. Teerão ameaçou retaliar contra grandes tecnológicas norte-americanas na região do Golfo, mantendo um foco de tensão latente. Ainda assim, o mercado parece privilegiar, para já, a perspetiva de desescalada, num momento em que também o setor tecnológico ganha destaque, com a OpenAI a anunciar uma ronda recorde de financiamento que reforça o apetite global por ativos de crescimento.