O ex-ministro Miguel Relvas criticou, em declarações à CNN Portugal, o impasse na eleição dos órgãos externos da Assembleia da República, nomeadamente no que respeita ao Tribunal Constitucional, apontando fragilidades na atual dinâmica política.
Relvas considerou que a dificuldade em alcançar consensos resulta de um desfasamento entre a nova configuração parlamentar e a persistência de uma lógica de “bloco central” por parte do PSD. Na sua análise, o partido do governo não definiu atempadamente uma estratégia clara de alianças, ficando encurralado entre aquilo que ele designa como “uma maioria negativa” e a exigência de maiorias qualificadas de dois terços para nomeações institucionais.
O antigo governante sublinha que a ausência de uma abordagem antecipada por parte do governo comprometeu a gestão do processo, agravada pela exclusão do Chega das soluções estruturais e pela dificuldade do PS em adaptar-se ao seu novo peso parlamentar. Este cenário, defende, pode conduzir a uma situação de bloqueio institucional.
Relvas alerta ainda para o risco de a legislatura ficar refém de impasses táticos, transformando processos institucionais em crises políticas com potencial de instabilidade. Numa crítica indireta à liderança do primeiro-ministro Luís Montenegro, Relvas afirmou que falta uma condução política firme, sugerindo que o governo navega sem rumo claro num contexto parlamentar exigente.
Segundo o ex-ministro, a incapacidade de definir regras e entendimentos desde o início da legislatura pode fragilizar a governação e abrir caminho a um eventual encurtamento do ciclo político.