Um grupo de militantes do Partido Socialista “preocupados com a caminhada do PS”, reuniram-se no último sábado, dia 21, para refletirem sobre a atual situação da força partidária liderada por José Luís Carneiro. Os dissidentes rebelam-se contra a data do Congresso socialista, na sua opinião “precipitadamente agendado”, eliminando “o tempo para o debate político, de que o PS necessita”.
Em comunicado enviado às redações, os signatários manifestam a sua “preocupação com a atual
estagnação do partido – no plano da atividade e democracia interna – com absoluta ausência de iniciativa e de dinamismo, nos diferentes níveis das estruturas organizativas”.
“A falta de debate interno é a realidade que urge alterar, no respeito e afirmação dos estatutos, da base ideológica e dos princípios éticos e republicanos que compõem o código genético no Partido Socialista”, acrescentam na mesma nota.
Em declarações exclusivas ao 24Horas, Manuel dos Santos, um dos assinantes do documento, afirma que o atual secretário-geral do partido está a exercer a sua liderança de forma “isolada” e defende que António José Seguro foi eleito para a presidência da República contra a Direção Nacional do PS, que o preteria em detrimento de Augusto Santos Silva, sustentando que só na parte final lhe surgiram “hipocritamente” alguns apoios.
O ex-eurodeputado não se fica por aqui e atira que urge a necessidade de um corte com o passado, a bem da construção de um futuro para o seu partido. Manuel dos Santos aproveita ainda para lançar farpas a José Sócrates e António Costa .
“O Partido Socialista só atingirá outra vez a sua vitalidade e ocupará o lugar que merece na sociedade e na política portuguesas quando for capaz de se desvincular de laços que ainda o prendem a um certo passado, que não é muito recomendável. Estou a falar à lógica e à cultura socrática, por algumas razões, e sobretudo à lógica e à cultura costista por razões bem mais conhecidas e bastante mais substanciais”, concluiu.