Luís Montenegro, de 52 anos, classificou o Conselho Europeu como um dos encontros mais relevantes dos últimos anos, alertando que a União Europeia enfrenta um momento particularmente exigente. À chegada a Bruxelas, o primeiro-ministro admitiu esperar negociações exigentes e deixou um aviso claro: falhar o acordo com o Mercosul seria um erro grave.
Convencido de que os líderes europeus enfrentam uma reunião “dura e intensa”, Montenegro defendeu que a UE não pode permitir-se desperdiçar um processo negocial que se arrasta há mais de duas décadas: “Será imperdoável se não conseguirmos consumar um acordo que demorou 25 anos a estabelecer-se e que é crucial para garantir a reciprocidade e a igualdade de tratamento entre a Europa e os parceiros do Mercosul, no quadro de um mercado que abrange mais de 700 milhões de consumidores.“
O chefe do Governo reconheceu que o processo continua envolto em incerteza, sobretudo após França e Itália terem solicitado o adiamento da assinatura do acordo. Ambos os países defendem que, antes de qualquer decisão final, devem ser concluídas medidas adicionais de salvaguarda para os agricultores europeus, exigindo garantias de reciprocidade no setor agrícola.
Apesar desse impasse, Montenegro considerou fundamental que os 27 Estados-membros encontrem uma posição comum que permita avançar para a assinatura definitiva do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que inclui Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. “Está ainda num quadro de alguma indefinição ou mesmo indecisão“, admitiu, sublinhando, no entanto, ser “crucial” alcançar um entendimento.
Pouco antes das declarações do primeiro-ministro, a presidente da Comissão Europeia reforçou a importância estratégica do acordo, apontando-o como uma peça-chave para reduzir fragilidades económicas da União. Ursula von der Leyen defendeu que o aval político do Conselho Europeu é essencial para concluir o processo: “Sobre a nossa discussão em geoeconomia, as nossas dependências são problemáticas para a nossa competitividade [da União Europeia (UE)] […], o acordo com o Mercosul tem um papel essencial, é um mercado de aproximadamente 700 milhões de consumidores e é de enorme importância.”