Luís Montenegro, de 52 anos, está em Kiev, uma deslocação que assume “um significado especial”, por se tratar de um país em guerra, e serve para reafirmar o apoio de Portugal à Ucrânia desde o início da invasão russa, bem como a solidariedade e proximidade com o povo ucraniano.
O primeiro-ministro falava aos jornalistas à chegada à estação ferroviária da capital ucraniana, pouco depois das 8:00 locais (6:00 em Lisboa), numa visita realizada dois dias após o Conselho Europeu ter aprovado um pacote de apoio de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia.
“Esta visita é sobretudo a expressão – e não propriamente um anúncio – de um apoio que tem sido continuado desde o primeiro minuto em que a agressão injustificada, injusta da Rússia se iniciou, que Portugal tem estado ao lado da Ucrânia e dos ucranianos”, afirmou.
O chefe do Governo reconheceu que, apesar das várias deslocações internacionais feitas desde que assumiu funções à frente do executivo PSD/CDS-PP, esta viagem tem um caráter particular.
“É um país que foi agredido, está a ser agredido, invadido, está sob guerra”, afirmou, acrescentando que a Ucrânia é, neste contexto, quem mais necessita da solidariedade europeia.
“Mais do que qualquer outro, está naturalmente mais carente da nossa solidariedade e da nossa proximidade, para não dizer mesmo do nosso afeto, é isso que nós também trazemos”, disse.
Luís Montenegro admitiu ainda que o apoio financeiro é essencial neste momento: “A Ucrânia precisa de apoio financeiro, não vale a pena ignorá-lo.”
O primeiro-ministro recordou que Portugal tem prestado apoio ao país de forma continuada e em várias áreas: “Portugal tem-no feito do ponto de vista bilateral, Portugal tem ajudado a Ucrânia em múltiplos programas da mais variada índole: do ponto de vista humanitário, do ponto de vista social, do ponto de vista militar, do ponto de vista político”, afirmou, sublinhando também a ligação entre as comunidades dos dois países.
Questionado sobre a decisão tomada no Conselho Europeu, considerou tratar-se de um sinal político relevante, que Portugal apoiou desde o início. “Portugal está desde o primeiro minuto ao lado da Ucrânia, com um apoio muito expressivo do ponto de vista político, do ponto de vista militar, do ponto de vista financeiro”, frisou.
Para Montenegro, esta visita simboliza a continuidade desse compromisso, não apenas com a Ucrânia, mas também com a segurança europeia.
O primeiro-ministro destacou ainda a presença significativa de cidadãos ucranianos em Portugal: “Uns que procuraram em Portugal uma oportunidade independentemente das circunstâncias de guerra e outros que, em virtude dela, encontraram em Portugal também o país que os acolheu e que os integrou.”
Segundo Montenegro, o apoio português à Ucrânia é praticamente consensual: “O povo português tem uma relação com a Ucrânia e um sentimento de partilha com a dor ucraniana que é única”, afirmou, salientando o amplo consenso político e social: “Somos parceiros, somos aliados (…) numa altura que é decisiva e se procura alcançar uma paz e onde é preciso, mais do que nunca, que haja espírito de solidariedade e de força do lado europeu e do lado ucraniano.”
Luís Montenegro referiu ainda que a viagem noturna de comboio decorreu sem incidentes e manifestou expectativa de encontrar nas autoridades ucranianas a mesma determinação demonstrada ao longo do conflito.
O primeiro-ministro chegou esta manhã a Kyiv para uma visita de um dia, que inclui um encontro com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Trata-se da sua primeira deslocação à Ucrânia desde que assumiu a liderança do Governo, em abril de 2024.